OPINIÃO

Caso DJ Ivis: até quando a violência machista será naturalizada?

Eu não conhecia o DJ Ivis até o dia em que assisti à live junina do cantor Xand Avião, mas não teria perdido absolutamente nada caso nunca tivesse ouvido falar no “artista”. Ele acaba de ser denunciado pela prática de violência doméstica contra sua esposa, que divulgou nas redes sociais vídeos de diversos atos de violência física brutal praticados pelo DJ, que, sem qualquer pudor, avança contra a mulher na frente da filha bebê e de outras pessoas que estavam no apartamento.

Trata-se de mais um agressor covarde e, também, mentiroso, como são tantos outros que infelizmente fazem parte do nosso convívio social, passando-se por bons maridos e ótimos profissionais, quando, na realidade, violentam suas companheiras dentro de casa. Nesse sentido, o que o DJ Ivis praticou não pode ser naturalizado. Trata-se de crime!

Diferentemente de uma lesão corporal comum, prevista no art. 129 do Código Penal, com pena de detenção de apenas três meses a um ano, a pena triplica quando a agressão ocorre no âmbito das relações domésticas, e pode chegar a três anos, graças à Lei Maria da Penha.

A já debutante Lei Maria da Penha, promulgada em 2006, no governo Lula, apesar de ter significado um enorme passo da institucionalidade brasileira, somente veio a existir, é bom que se lembre, após condenação internacional do Estado Brasileiro perante a Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), pela negligência sistemática das instituições policiais e judiciárias no combate a casos de violência doméstica contra as mulheres.

Quinze anos após a promulgação dessa importante Lei de proteção às mulheres, percebemos que, sem mudanças na estrutura social patriarcal, torna-se insuficiente (apesar de importante) a solucionar em definitivo o problema da violência machista na sociedade.

Outro aspecto que causa bastante indignação, é como a reprovação social ainda é pequena, principalmente por se tratar de um homem famoso, em ascensão, quando deveria ser justamente o contrário. Como pode, mesmo com a divulgação de vídeos que provam a sua conduta covarde em agredir a ex-esposa na frente da filha bebê, este homem ter a cara de pau de gravar stories no seu instagram, sentido-se à vontade para tentar manipular a opinião pública?

Ele tenta se fazer de coitado, como se a mulher que ele agrediu com socos na cabeça, nas costas, derrubou no chão, fosse uma pessoa desequilibrada emocionalmente e de algum modo culpada pela violência por ele praticada. Está tudo ao contrário, e parece que a estratégia dá frutos. Em vez de perder seguidores, esse macho nojento e sem escrúpulos está aumentando o engajamento no Instagram e já ultrapassa os 900 mil seguidores.

Apesar desse quadro difícil , não podemos perder as esperanças em ver machistas como esse cara sendo devidamente responsabilizados pelos crimes cometidos. É importante ressaltar que a empresa comandada por Xand Avião, que gerencia a carreira de DJ Ivis, publicou comunicado em que repudia todo e qualquer ato de agressão e presta solidariedade a toda vítima de violência, orientando que episódios dessa natureza sejam denunciados pelo Disque 180. Informa ainda, que o agressor foi imediatamente afastado de todos compromissos. Sobre o caso, o cantor e empresário Xand Avião afirmou que o agressor não terá como continuar na empresa e que designou uma equipe para oferecer apoio a Pamela “no que ela precisar”.

Também foram imediatas as reações negativas de diversas organizações, parlamentares e artistas de diversos gêneros, inclusive do funk, como a cantora Pocah. É dever de todos lutar dentro das suas possibilidades contra a violência machista e misógina, que é mais uma epidemia persistente no nosso país.

Nas redes e nas ruas, seguiremos lutando: JUSTIÇA POR PÂMELA! Machistas NÃO PASSARÃO!

 

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Aline Juliete
Aline Juliete de Abreu é advogada, Mestra pelo Programa de Pós-Graduação em Estudos Urbanos e Regionais (UFRN), feminista negra e ativista pelos direitos humanos

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