CIDADANIA

Caso Gabriel: Policiais acusados de matar jovem vão a júri popular

Os policiais acusados de matar o jovem Gabriel Giovanni Gabriel de Sousa Gomes, de 18 anos, sequestrado e assassinado em 5 de junho de 2020, vão a júri popular. A decisão, é do juiz Marcos José Sampaio de Freitas Júnior, da 1ª Vara Criminal de Parnamirim.
Somente este ano, o julgamento dos policiais foi adiado em três ocasiões. O primeiro, no começo do ano, quando as audiências destinadas a ouvir testemunhas e réus no caso foram transferidas de 21, 22 e 23 de janeiro para os dias 8, 9 e 10 de fevereiro. Na época, a nova data foi acatada para que fosse atendido pedido de anexação de interceptações telefônicas aos autos processuais.
Na segunda data, de 8 a 10 de fevereiro, diversas testemunhas de acusação e defesa até foram ouvidas, mas houve novo adiamento já que duas pessoas que cruzaram com o adolescente antes da abordagem policial ainda não haviam sido intimadas a testemunhar sobre o caso.
Já na terceira vez, após um ano de morte do adolescente, quando deveriam ter sido ouvidos os réus e determinado o tipo de julgamento destinado a eles, a audiência de instrução foi remarcada para 7 de julho.
A determinação do juiz que decidiu pelo júri popular é de 1º de outubro, mas a data do julgamento ainda não foi definida porque a defesa ainda pode recorrer da decisão.

Gabriel foi morto quando estava chegando na casa da namorada

Na manhã do dia 5 de junho de 2020, Giovani Gabriel tinha chegado no Loteamento Cidade Campestre, em Parnamirim, para visitar a casa da namorada. Como o relacionamento não era aprovado pelo pai da garota, Gabriel só a visitava quando os parentes não estavam em casa. Ele costumava esconder a bicicleta numa área próxima à casa para evitar maiores problemas.
Nessa mesma manhã, policiais eram acionados para dar conta do roubo de um carro em Parnamirim. O veículo pertencia a cunhada de Paullinelle Sidney Campos Silva, sargento da polícia militar que acionou outros três agentes, todos eles lotados no município de Goianinha, para buscas do veículo e responsável pelo roubo.  O grupo deslocou-se, inclusive, para uma área fora de sua guarnição à procura do veículo.

Foi assim que Bertoni Vieira Alves, Valdemi Almeida de Andrade e Anderson Adjan Barbosa de Souza chegaram a Gabriel. O veículo foi encontrado próximo ao local onde Gabriel tinha deixado a bicicleta e o rapaz acabou sendo confundido com o responsável pelo roubo do veículo.

Durante as buscas, policiais abordaram Gabriel, que explicou que estava indo visitar a namorada. Os PM’s se certificaram da veracidade da história dele, liberando-o logo em seguida. No entanto, ao sair de onde estava, Gabriel foi visto por outros moradores que avisaram a outra viatura da polícia. Ele foi novamente abordado, chegou a avisar aos policiais que já tinha sido abordado por outra viatura. Mesmo assim, foi colocado dentro da mala do veículo. Essa, foi a última vez que Gabriel foi visto com vida.

Além Bertoni Vieira Alves, Valdemi Almeida de Andrade e Anderson Adjan Barbosa de Souza,  que estavam na viatura na qual Gabriel foi levado, o sargento Paullinelle Sidney Campos Silva também é réu no caso. Todos os policiais militares estavam lotados no município de Goianinha. Eles cumprem prisão preventiva, que foi mantida pelo juiz Marcos José Sampaio de Freitas Júnior, apesar do pedido de revogação da defesa.

De acordo com as investigações da Polícia Civil, Gabriel foi executado a tiros pelos policiais que deixaram o corpo do jovem em São José do Mipibú, distante 30 km’s de Natal e 20 km’s de Parnamirim, onde o jovem foi abordado. O cadáver de Giovani Gabriel só foi encontrado nove dias depois do ocorrido, já em avançado estado de decomposição, depois das buscas realizadas por amigos e familiares do jovem. Gabriel sonhava em ser professor de educação física e servir ao exército.

Veja a entrevista concedida pela mãe de Gabriel ao Balbúrdia:

 

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