CIDADANIA

Centro Feminista 8 de Março inaugura sede em Natal para ampliar debate

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Fortalecer a luta do movimento feminista e unir as mulheres da zona rural com a urbana. É assim que o Centro Feminista 8 de Março resume os mais de 25 anos de experiência. Agora, mais uma sede será inaugurada para sociedade, desta vez em Natal. A mesa de abertura das atividades do centro na capital será nesta sexta-feira (29), às 17h. O endereço é na rua Amaro Mesquita, 46, Lagoa Nova (antigo Margem Hurb de Fotografia, próx. ao Midway). Entre as convidadas para o lançamento estão a deputada estadual Isolda Dantas (PT) e a professora doutora da UFRN Mariana Mazzini. A programação conta, ainda, com bazar, venda de livros, oficinas, feira de produtos agroecológicos, além da apresentação com a cantora natalense Dani Cruz.

O Centro Feminista 8 de Março é uma organização não governamental da sociedade civil que busca a auto-organização das mulheres e a ampliação dos debates do movimento feminista. “O CF8 foi fundado em 1993, e hoje participa do movimento internacional da Marcha Mundial das Mulheres”. A instituição desenvolve ações alicerçadas em três elementos: feminismo, organização e formação. “Nossas atividades têm como finalidade proporcionar o fortalecimento das organizações de mulheres nos espaços sociais”, explica Conceição Dantas, coordenadora-geral.

Dentre as principais linhas de atuação do CF8, atualmente, estão dois programas. “O primeiro é Mulheres e Semiárido, que trabalha a questão das mulheres rurais e da convivência com o semiárido; e o segundo é a linha da Economia Feminista, na qual nós trabalhamos com as mulheres da zona rural e urbana para construção da autonomia de cada uma”. 

A sede de Natal já foi inaugurada simbolicamente na Cooperativa Central de Comercialização da Agricultura Familiar de Economia Solidária (Cecafes). De acordo com Conceição, a necessidade de se abrir uma sede na capital faz parte do projeto de expansão do trabalho em nível estadual. “Nós queremos trabalhar na capital principalmente com as mulheres da zona urbana de bairros populares e jovens de escolas públicas. Nossa intenção é discutir uma conexão entre o rural e o urbano a partir de diversas experiências”. 

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Ao longo dos 26 anos de existência, o Centro tem se constituído muito além como uma entidade de referência na formação em gênero no Estado. Entre os projetos desenvolvidos, está a experiência em aplicação do reuso da água no contexto da agricultura familiar, que possibilita às mulheres da zona rurais a produção de alimentos. Dessa forma, ao se unir com as da zona urbana, promovem o escoamento por meio da economia solidária. “Nosso projeto, que foi aprovado pela Fundação Banco do Brasil, ajuda a fortalecer a organização e independência das mulheres”, comenta Conceição.

“Nossa intenção é unificar o rural com o urbano a partir da produção, comercialização e auto-organização das mulheres, com ações desenvolvidas em regiões populares da cidade, como os bairros da zona Norte, Mãe Luiza, Planalto, por exemplo. Nessas regiões há grupos de mulheres que trabalham com a economia solidária, então a partir delas nós vamos nos conectar e fazer com que haja o fortalecimento da comercialização dessas mulheres”.

Para a deputada estadual Isolda, o CF8 é uma das instituições mais importantes na construção do feminista potiguar. “É uma instituição que tem experiência em nível regional e nacional, que com muita alegria inaugura sua sede aqui em Natal, trazendo uma experiência enorme de trabalho com mulheres rurais, com o tema da agroecologia, economia solidária e feminista, da convivência com o semiárido”, afirma a parlamentar, ao comentar os mais de 25 anos de experiência acumuladas pelo Centro, que agora contribui também para a capital e região metropolitana.

Além do trabalho com a agricultura familiar feminista, o CF8 ainda atua com jovens de escolas públicas, trabalhando com o mesmo projeto de reutilização das águas para a criação e manutenção de hortas orgânicas nas unidades de ensino. “Ao mesmo tempo que desenvolvemos esse projeto, também introduzimos o debate com a juventude, em especial com as estudantes mulheres, para construir a ideia de feminismo na escola”, explica Conceição, sobre o trabalho contínuo planejado pelo Centro já a partir da inauguração da sede.

“Como nós somos uma entidade do movimento social que fortalece a luta das mulheres, nós queremos nos conectar com o movimento feminista de Natal, com as ações que venham a contribuir com a luta feminista pela igualdade entre mulheres e homens tanto na capital, em Mossoró, quanto no Rio Grande do Norte como um todo”, conclui.

 

 

 

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Pedro Torres
Pesquisador e jornalista com foco em direitos humanos, política e tecnologia baseado em Natal/RN. CONTATO: pedrohtorres@outlook.com

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