CULTURA

Choro e lamento: santo de casa não faz milagre no Centro Histórico

Lançado em abril deste ano, o edital da prefeitura de fomento artístico nas ruas da Cidade Alta teve seu resultado divulgado  terça-feira (4) pela secretaria municipal de Cultura. Após a divulgação, que indicou 23 projetos para compor a agenda cultual do Centro Histórico, a falta de nomes conhecidos e que movimentam a cena há vários anos na região causou estranheza em quem frequenta o Centro.

Grupos ligados a samba e choro não conseguiram o auxílio financeiro da prefeitura de Natal. Como é o caso do “Encontro de Sambas e Choros com Debinha Ramos”, “Samba que te Quero Samba”, “Quinta do Samba”, “Batuque do Povo”, “Serenata Luar de Natal” e “Choro do Caçuá”.

O artista Carlos Zens utilizou o Facebook para desabafar sobre o resultado:

Fiquei bastante decepcionado… gostaria de saber qual foi o critério avaliado perante a curadoria do edital”, afirmou o músico.

Carlinhos Zens, como é carinhosamente chamado, é um rosto conhecido na música potiguar. O artista é responsável por movimentos culturais em Natal, como o Choro do Catita, RN Samba Autoral e o Encontro de Samba.

Em abril de 2018, aproveitando o desejo de revitalização do Centro Histórico da cidade, surgiu o Choro do Caçuá. Reunindo grandes nomes como Fernandinho Régis, Anchieta Menezes e o próprio Carlos Zens, o projeto entrou no roteiro cultural da cidade, acolhendo músicos, poetas, intelectuais, artistas, amadores, amantes da cultura, profissionais de vários grupos, professores, alunos, etc.

Já se apresentaram no Choro do Caçuá músicos como Diogo Guanabara, João Juvanklin, Alexandre Moreira, Laryssa Costa, Rodolfo Amaral, Lysia Condé, a familia Pádua, artistas argentinos, portugueses e espanhóis de choro, além de compositores de outros gêneros como samba e forró também se uniram para animar as manhãs de sábado da praça Padre João Maria.

Choro do Caçuá animando a praça Padre João Maria, no centro de Natal. Foto: Divulgação

O local escolhido não foi por acaso, como explica o próprio Zens:

É uma praça histórica da Cidade do Natal, pela localização de ser no Centro da Cidade, perto da primeira matriz Nossa Senhora da Apresentação e o marco zero de Natal. Também fica num ponto central de visita de monumentos históricos da cidade, Instituto Histórico, Geográfico do Rio Grande do Norte, Memória Câmara Cascudo, Museu Café Filho, Antigo Palácio do Governo… e além de ajudar na re-humanização da praça e a população de rua”, declarou o músico.

Apesar de ter um histórico com a região, o projeto não foi aprovado na seleção pública nº 0142019. Como também o Encontro de Sambas e Choros organizado por Debinha Ramos. O músico reúne há dez anos artistas nas primeiras sextas-feiras do mês, na rua Vigário Bartolomeu, por trás do Banco do Brasil. O evento que há uma década leva cultura ao Centro de Natal também teve auxílio financeiro negado pela prefeitura:

Eu acho que as pessoas da Funcarte que analisaram não vivenciam a realidade do Beco da Lama. Acredito que só pegaram os papeis e escolheram os que montaram melhor o projeto. Mas se eles estivessem no Beco, não deixariam tanta história de fora”, comentou o artista, indicando o desejo que as escolhas sejam revistas pela Funcarte, pois segundo o músico, diversos nomes selecionados não participam da história da Cidade Alta, como outros que “resistem e tiram dinheiro do próprio bolso” ficaram de fora.

A seleção pública vai distribuir quase R$ 200 mil entre os artistas contemplados. Os projetos vão receber entre os valores de R$ 2 mil para uma apresentação e até R$ 54 mil para 10 shows nas ruas da capital.

Carlos Zens agora se mostra em dúvida sobre o futuro do projeto Choro do Caçuá sem o incentivo público:

Vamos ter uma conversa com o pessoal. Não sei se vai ser duas edições, como é normal. Talvez seja uma por mês. Vamos analisar com carinho”,  disse o artista.

Criado nas Rocas, berço do samba de Natal, Debinha Ramos realiza encontros mensais. Foto: Som sem Plugs

Já Debinha Ramos, apesar da tristeza, é veemente quando a conversa é o futuro:

Com certeza iremos continuar. Claro que o auxílio iria nos ajudar muito. Custeamos os encontros com sorteios, com muita dificuldade, mas vamos em frente. Hoje mesmo tem encontro às oito da noite”, comentou.

A 114ª edição do Encontro de Sambas e Choros com Debinha Ramos acontecerá nesta sexta-feira (7), a partir das 20h, excepcionalmente no bar do Zé Reeira. Já o Choro do Caçuá será neste sábado (8), às 9h30, na praça Padre João Maria.

As intervenções dos projetos contemplados seguem até o mês de dezembro na Cidade Alta.

 

 

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