ENTREVISTA

Cicloativista enumera fatores que desestimulam uso da bicicleta em Natal

Economista, pós-doutor em estudos urbanos e regionais e professor do Departamento de Políticas Públicas da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Fábio Fonseca foi convidado pelo Programa Balbúrdia desta quarta-feira (15) para falar sobre cicloativismo.

Durante a entrevista, ele enumerou vantagens e obstáculos que Natal impõe àqueles que usam a bicicleta como meio de transporte.

A falta de segurança pública e de segurança viária, bem como a escassez de ciclovias, estão entre os fatores que mais desestimulam os usuários. Ele menciona inclusive que um amigo foi atropelado na semana passada.

De acordo com Fábio Fonseca, Natal tem aproximadamente 90 quilômetros de faixas de integração para bicicletas, entre ida e volta de ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas, com projeto da Prefeitura para chegar a 150 quilômetros. O destaque é para um método que o professor considera inovador: as faixas compartilhadas entre ônibus e bicicletas.

Embora haja críticas dos próprios ciclistas, em alguns lugares do mundo, como Viena, na Itália, onde o cicloativista viveu por algum tempo, existe essa modalidade de via.

“Na minha avaliação o que falta é uma maior fiscalização nessas áreas coletivas, onde vários modais podem e devem dividir o mesmo espaço”, diz, ao apontar que a cultura da cidade não favorece o uso de bikes.

“Se você quer ir trabalhar, no seu ambiente de trabalho não tem lugar para colocar a bicicleta muitas vezes. Ou se tem, você não tem como tomar um banho depois. Se você vai para alguma loja, supermercado, não tem bicicletário”, continua, lembrando que as ruas da capital potiguar são esburacas e falta iluminação pública.

“Eu fui assaltado no dia 15 de março de 2021 na Via Costeira em um lugar que não tinha iluminação pública e há duas semanas estava novamente sem iluminação”, contou. “Na semana que fui assaltado, quatro outras pessoas também foram assaltadas no mesmo lugar”.

Apesar disso, e de “todo o constrangimento de andar de bicicleta” em Natal, Fábio Fonseca acredita que o momento é favorável ao debate sobre essa questão.

O professor elucida que a bicicleta é um modal de deslocamento como ônibus, carro, trem e metrô e deve ser estimulado o seu uso como possibilidade de deslocamento pela cidade.

“Esperamos que o plano de diretor não verticalize a cidade [com prédios muito altos], mas ainda é bastante horizontalizada. Tem ladeiras, mas não tem muitas subidas e descidas e muitas vias são largas”, destaca vantagens, ao destacar que “ainda não é uma cidade feita pra bicicleta”.

Na avaliação do especialista em políticas públicas, é essencial envolver todos os poderes nas soluções dessa questão, sobretudo as prefeituras dos municípios conturbados na Grande Natal, mas também Estado e governo federal.

Confira entrevista completa:

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Isabela Santos
Isabela Santos é jornalista e repórter da agência Saiba Mais