CIDADANIA

Cientista da UFRN explica por que podemos confiar na segurança da vacina Coronavac

Por Isabela Santos e Mirella Lopes

A comunidade científica defende a segurança e a eficácia da CoronaVac, da farmacêutica chinesa Sinovac Biotech em parceria com o Instituto Butantan. O percentual de 50,38% de eficácia da vacina contra a covid-19 está acima do mínimo exigido pela Anvisa (50%), atendendo também aos padrões da OMS (Organização Mundial de Saúde). A professora do departamento de Microbiologia e Parasitologia da UFRN Jeneusa Trindade explica que esses 50,38% correspondem à eficácia global da vacina.

“Quer dizer que, se uma pessoa tomar a vacina ela tem 50,38% de chance de não desenvolver a doença e caso desenvolva a doença, a vacina protege a pessoa da forma grave da covid-19. No caso dos 78%, correspondem aqueles que desenvolveram a doença mesmo tomando a vacina, mas que não precisaram de atendimento médico, fizeram uma doença muito leve, mostrando que a vacina protege da forma grave da doença”, enfatiza a pesquisadora, ao detalhar como funciona o processo de certificação de eficácia das vacinas.

De acordo com Jeneusa Trindade, para que a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) certifique uma vacina, é necessária a avaliação de todos os documentos técnicos envolvidos, desde a produção do imunizante (informações de tecnologia farmacêutica, como por exemplo o processo de fabricação, o controle de qualidade do imunizante, a matéria prima utilizada) até os dados dos estudos pré-clínico e clínicos realizados com ele.

“Com os dados dos estudos pré-clínicos e clínicos a Anvisa avalia se o imunizante apresentou segurança, ou seja, se não teve efeitos adversos significativos em humanos; e se apresentou eficácia, ou seja, se a vacina apresentou seu efeito protetor contra a doença. Após avaliar toda a documentação a Anvisa emite seu parecer dando ou não o aval para uso da vacina. Caso os dados apontem para segurança do imunizante e uma eficácia superior 50% de eficácia, o aval será positivo”, explica.

O estudo foi feito com 13.060 voluntários, todos profissionais da saúde, uma população muito exposta à doença. Metade do grupo tomou a vacina e a outra parte recebeu placebo. Desde o início do ensaio, em julho, 252 pessoas foram infectadas com covid-19 —167 do grupo placebo e 85 entre os vacinados. Entre elas, no grupo vacinado, não houve nenhum caso com doença moderada a grave, que precisou de internação. Sete casos foram registrados no grupo que não foi vacinado.

Trindade destaca que todo o mundo científico acompanhou os estudos das vacinas “Os estudos de fases 1 e 2 dessas vacinas foram publicados em revistas científicas muito importantes, que atestaram dados iniciais de segurança e eficácia dessas vacinas. Os dados de fase 3 já foram apresentados confirmando os dados das fases iniciais, mostrando que as vacinas são seguras e apresentam eficácia”, ressalta, ao dizer que cabe às agências reguladoras fazerem seu papel, que é essencial para a validação das vacinas.

“A corrida não é da indústria, a corrida é pela vida, pois o quanto antes uma vacina for aprovada, obedecendo todos os ritos para isso, vidas serão salvas. E assim que tivermos uma ou mais vacinas aprovadas no Brasil, é importante que todos aqueles que estão nos grupos autorizados, se vacinem, para que possamos começar a controlar essa pandemia no nosso país”, conclui a professora.

Confusão com dados

Na semana passada o Instituto Butantan havia divulgado dados preliminares de que a vacina evitou 78% de casos leves e proteção total (100%) contra mortes, casos graves e internações nos voluntários vacinados que foram contaminados. A ausência da apresentação da eficácia geral no primeiro anúncio levou algumas pessoas a pensarem que o dado de 78% era o dado de eficácia geral e favoreceu o surgimento de mais fake news partindo do movimento antivacina, que alegou ser de baixa eficácia o imunizante.

Nesta segunda-feira (11), a CoronaVac foi aprovada pelas autoridades sanitárias da Indonésia. Os testes clínicos de fase 3 feitos no país do Sudeste Asiático indicaram uma taxa de eficácia global de 65,3%. Lá, a campanha de imunização começou nesta quarta-feira (13).

Para Jeneusa, o que aconteceu foi apenas um erro de comunicação. “A equipe do Butantan poderia ter esperado essa semana para apresentar todos os dados da forma como fez nessa segunda (12), evitando assim toda essa confusão.

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