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Cientistas trocam laboratórios pelas ruas em protestos no país

Cientistas, pesquisadores, professores e estudantes da área de ciência e tecnologia trocam nesta quarta-feira (8) os laboratórios pelas ruas de todo o país. A manifestação convocada pela Sociedade Brasileira do Progresso para a Ciência (SBPC) promete ser o maior protesto já realizado pelo segmento na história do país.

Diferente dos protestos comuns, nos quais o microfone é aberto para lideranças discursarem, a ideia dessa manifestação é realizar uma grande feira de ciência ao ar livre para mostrar à sociedade como a ciência está presente no dia-a-dia da população e os prejuízos que o país vêm acumulando em razão dos cortes nos investimentos do setor.

No Rio Grande do Norte, a atividade acontece a partir das 16h, na calçada do Midway Malll. A programação inclui aulas ao ar livre, experimentos científicos na rua e manifestações culturais, como roda de capoeira e música.

O protesto tem apoio da SBPC, Instituto do Cérebro, UFRN e IFRN.

Os cortes orçamentários promovidos pelo governo Bolsonaro, em particular o contingenciamento de 42% nos recursos de investimentos do Ministério da Ciência e 21% no Ministério da Educação, foram a gota de água para que a comunidade científica se mobilizasse.

O coordenador de extensão do Instituto do Cérebro Eduardo Sequerra destaca o apoio da mobilização desta quarta-feira à reunião da SBPC no Congresso Nacional.

– A importância da manifestação de hoje é também para apoiar uma negociação que vai acontecer no Congresso, em Brasília, pela SBP. Será criada uma Frente Parlamentar em Defesa da Ciência que vai apoiar a ciência nacional. Também teremos uma reunião com o ministro para tentar repor esses cortes”, disse.

Apoio do IFRN

Como os cortes no orçamento atingiram todas as universidades e institutos federais do país, a manifestação em defesa da Ciência vai ganhar mais adesões. Atendendo ao convite da SBPC,  a pró-reitoria de Pesquisa e Inovação do IFRN participa do ato desta quarta-feira. O Instituto realizará a ação “Não deixe o coração da ciência brasileira parar”, no calçadão do próprio IFRN da avenida Salgado Filho.

De acordo com o professor Márcio Azevedo, a ação do IFRN no ato será a de mostrar e expor os diversos trabalhos que são comentados pela Pró-Reitoria e pelos Campi, envolvendo iniciativas de Pesquisa, Inovação e Pós-graduação.

“A PROPI promove e fomenta a pesquisa básica e stricto Sensu- aplicada e acadêmica – entre os estudantes e servidores da Instituição e estimula o desenvolvimento de soluções técnicas e tecnológicas, de forma a estender seus benefícios à comunidade. Na ação do dia 8, vamos apresentar algumas de nossas ações e a sua importância para toda a sociedade”, enfatiza.

Investimentos caíram

O presidente da SBPC Ildeu de Castro Moreira afirmou nesta terça-feira (7), na estreia do programa “Repare Bem”, comandado por Ciro Gomes, que a ciência e tecnologia contam hoje com apenas 1/3 do orçamento disponibilizado há 10 anos para o setor.

Ele lembrou que todos os anos se formam 20 mil doutores e que os cortes de 42% no orçamento de 2019 atingiu em cheio as bolsas financiadas pelas agências de pesquisas, a exemplo do CNPq, CAPES e Finep.

Só a Finep teve 90% do seu orçamento contingenciado. Já faltam R$ 300 milhões para pagar as bolsas já comprometidas para 2019. Sem inovação tecnológica a indústria no Brasil que está caindo não sai dessa situação”, disse

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Rafael Duarte
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"

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