CULTURA

Cine Terreiro tem mostra de cinema e traz religiões de matrizes africanas e indígenas para debate

Conhecer o passado é uma forma de entender o presente e se fortalecer para o futuro. E para não só celebrar as matrizes afro-indígenas, mas também preservar as comunidades religiosas e suas memórias através do audiovisual, o Cine Terreiro organizou para 2021 uma mostra online gratuita de filmes.

Por causa da pandemia da covid-19, o projeto vai acontecer no formato virtual. As oito mostras anteriores foram realizadas em terreiros de candomblé, umbanda e jurema da região metropolitana de Natal. As exibições deste ano já começaram nesta terça (2) e seguem até o dia 10 de março. No site do Cine Terreiro, é possível assistir a dez filmes ligados ao tema. A proposta é fazer uma retrospectiva dos anos anteriores do projeto, que começou em 2015.

Mas, além da mostra que não tem caráter competitivo, pela primeira vez, também será realizado um Festival com lançamentos de filmes, curadoria, mostra competitiva, além de premiações. Diante de tantos retrocessos que reforçam os preconceitos há muito latentes, a ideia é de também levantar um debate sobre o tema.

“Nós criamos a mostra que vai se tornar Festival com a intenção de diminuir esse preconceito, aproximar pessoas que nunca visitaram essas casas religiosas, prestar serviço de valorização e memória dessas importantes casas que, muitas vezes, ficam invisíveis aos olhos da sociedade”, reforça Rodrigo Sena, idealizador do Cine Terreiro.

Para quem não lembra, o Rio Grande do Norte foi o único estado do país a não receber vacina contra covid-19 para a imunização da população indígena. Erro que só foi corrigido recentemente, com o envio de doses pelo Ministério da Saúde. Mesmo assim, a capital ainda chegou a devolver as vacinas à Secretaria Estadual de Saúde Pública por não reconhecer a presença de indígenas em seu território. Medida que também será revista, segundo a própria Prefeitura de Natal, depois de recomendação do Ministério Público Federal.

O Festival será realizado em abril e as inscrições serão abertas em breve. Pela primeira vez, um festival de cinema em Natal vai pagar prêmios em dinheiro aos realizadores. Uma forma de incentivar as produções e jogar luz sobre as questões em torno do tema.

“O Rio Grande do Norte tem uma forte participação com religiosa de matriz, principalmente, quando falamos de Jurema Sagrada. Nós temos uma raiz forte que devemos valorizar e a importância disso é sabermos de onde viemos, porque assim podemos ir para qualquer lugar com muito mais segurança. Ela nos faz mais fortes. Um povo sem memória é um povo sem cultura, fraco”, defende Rodrigo Sena.

Casa de Candomblé Ketu, Ilê Axé Agodô, em Extremoz I Foto: cedida

Filmes da mostra:

Olho-De-Boi  (Gustavo Guedes)

Exú – Além do Bem e do Mal  ( Werner Salles Bagetti)

Caboclos NKISIS (Ana Stela Cunha)

Jurema (Clementino Junior)

Rapsódia para o Homem Negro (Gabriel Martins)

Egun (Helder Quiroga)

Bolou (Rodrigo Sena)

Festa de Deuses e Homens (Rodrigo Sena)

Caixa D’Água: Qui-Lombo é Esse? (Everlane Moraes)

Do Meu Lado (Tarcísio Lara Puiati)

Arte de parte dos filmes em cartaz
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