CULTURA

Clowns de Shakespeare se reinventa e mostra o mundo do avesso em experiência cênica virtual

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A classe artística é um dos segmento que mais vem sentindo os impactos causados pelo isolamento social acarretado pela pandemia do Coronavírus. Para dar vazão à pulsão criativa em meio à ausência do público, o grupo teatral Clowns de Shakespeare buscou uma forma de se manter vivo e pagar as contas. A partir desse cenário, nasce CLÃ_DESTIN@: uma viagem cênico-cibernética.

O novo trabalho do coletivo é encenado virtualmente. A estreia aconteceu nesta terça-feira (7) e se estende até o dia 17 de julho, às terças, quartas, quintas e sextas-feiras, dividido em três sessões: às 18h, 19h30 e 21h. Os ingressos estão disponíveis ao público e podem ser adquiridos por mensagem direta no perfil do Instagram @teatroclowns.

Sem dramaturgia linear, o diretor artístico Fernando Yamamoto, descreveu o projeto não como uma peça, mas como uma viagem. O Clã_destin@ passará por reflexões sobre a América Latina, abordará o teatro e o momento atual de pandemia. O mistério sobre a trama é proposital. O trabalho traz uma comunicação e roupagem diferente do usual, a começar pela ausência do palco físico. A interação com o público também aumenta.

Definir o signo da palavra que dá nome ao trabalho se torna uma tarefa difícil, devido ao mistério que baseia a divulgação, mas essas respostas estarão dentro do espetáculo.

O Clã_destin@ passa por muitas coisas. Se questiona o que é o oficial e o marginal, o dentro e o fora, o que é o centro e a margem, o oficial e o clandestino”, afirma Yamamoto.

O grupo Clowns de Shakespeare estreia novo trabalho nesta terça (07)

O novo fazer teatral

Sem tantas referências para o novo formato, o Clowns de Shakespeare acabou por ser pioneiro no Rio Grande do Norte no “teleteatro”. Os artistas sentiram a necessidade de encontrar um formato para levar ao público uma forma equivalente a de um espetáculo de teatro.

Fernando Yamamoto afirma que Clã_destin@ é um experimento de alto grau por ser incomum:

“É um alto grau de experimentação, já que a gente está falando de um novo espaço e que não é teatro”, reflete.

Quanto à definição do que seria esse novo experimento, ele ressaltou que não há nome e que, no momento, os artistas não buscam tentar compreender-lo. No entanto, é inegável que essa ideia sem definição, até o momento, gera uma acessibilidade à cultura incomparável. Ao se referir sobre teatro, é preciso lembrar de toda sua composição física: espaço, cenário, figurino, ferramentas de audiovisual e iluminação. Isso gera uma certa dificuldade de locomoção dos grupos teatrais pelo país. E, com o “Teleteatro”, qualquer pessoa, de qualquer lugar, terá acesso ao espetáculo.

Estreia

O grupo Clowns de Shakespeare – com décadas de experiências e passagem por diversos lugares da América Latina, como Peru, Equador e Colômbia – teve seu primeiro espetáculo virtual exibido nesta terça-feira (7), às 18h. Para Yamamoto, o desejo para toda o projeto é que o público esteja aberto para essa nova experiência e dispostos a interagir.

“Será um respiro nas nossas relações cotidianas”, afirmou, ao falar do sufoco da população com os problemas diários e o medo da Covid-19.

 

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Allan Almeida
Jornalista potiguar em formação pela UFRN.

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