DEMOCRACIA

CNJ instaura processos contra Sérgio Moro

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O juiz federal Sérgio Moro terá que explicar sua ida para o Ministério da Justiça e da Segurança Pública a convite do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL). O corregedor nacional de Justiça, ministro Humberto Martins, instaurou Pedido de Providências para que Sérgio Moro, que é da 13ª Vara da Seção Judiciária de Curitiba (PR), preste informações por suposta atividade político-partidária.

O pedido foi formulado por Benedito da Silva Junior contra o magistrado, afirmando que circulam notícias na imprensa nacional de que ele “comunicou e concordou com o então presidente eleito Jair Messias Bolsonaro a aceitar o cargo de ministro da Justiça (cargo em comissão)”.

Assim, alega que, por ser o Ministério da Justiça órgão diretamente vinculado ao Poder Executivo, há incompatibilidade entre o exercício de tal cargo com a magistratura e que o juiz federal “vem agindo fora da ética ao aceitar conversar com o novo presidente eleito em sua possível nomeação ao cargo de ministro da Justiça”.

Ao instaurar o Pedido de Providências, o corregedor determinou que Moro seja notificado para prestar informações em 15 dias “para possibilitar uma melhor compreensão dos fatos”.

Martins determinou ainda que a Corregedoria Regional do Tribunal Regional Federal da 4ª Região seja notificada para que, no prazo de 15 dias, informe acerca da existência, naquela corregedoria, de apuração sobre o fato objeto do presente Pedido de Providências.

Sobrestamento
O ministro Humberto Martins determinou a reunião de procedimentos com o mesmo objeto formulados pela Associação Brasileira de Juristas pela Democracia, por deputados federais e senadores do Partido dos Trabalhadores (PT), aos autos do pedido de providências a fim de evitar a repetição de atos processuais e, consequentemente, causando demora indevida na tramitação.

“Já tramita nesta Corregedoria Nacional de Justiça pedidos de providências instaurados para apurar fatos análogos ao que são objeto das reclamações, de modo que, visando a evitar a repetição de atos processuais, causando demora indevida na tramitação e desperdício de recursos humanos e materiais, devem os presentes feitos serem sobrestados e apensados ao PP para julgamento conjunto”, decidiu o corregedor.

Alegações
Para a Associação Brasileira de Juristas pela Democracia, o juiz Sérgio Moro, ao iniciar tratativas de exercer outro cargo público ainda durante o exercício do cargo de magistrado teria violado: a proibição constitucional aos magistrados de dedicarem-se à atividade político-partidária (artigo 95 da CF); o dever de manter conduta irrepreensível na vida pública e particular (Loman, artigo 35); a proibição da manifestar opinião sobre processo pendente de julgamento (Loman, artigo 96) e a vedação de participação em qualquer atividade político-eleitoral (Código de Ética da Magistratura, artigo 7º).

Os deputados federais e senadores do PT alegam que o magistrado teria agido “mais uma vez, com parcialidade e sem a observância da legalidade”, ao liberar o sigilo do conteúdo da colaboração premiada do ex-ministro Antonio Palocci, no bojo do encerramento do processo eleitoral.

Além disso, sustentam que o magistrado teria violado a Loman, o Código de Ética da Magistratura e a CF, ao dedicar-se à atividade político-partidária sem exonerar-se do cargo de juiz.

Os procedimentos tramitam em segredo de justiça.

Fonte: Corregedoria Nacional de Justiça

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Isabela Santos
Isabela Santos é jornalista e repórter da agência Saiba Mais

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