DEMOCRACIA

Coletivo Arretadas lança portal inédito voltado para cobrir a pauta de mulheres

[one_half last=”no”]…[/one_half]

Feminista, brasileiro, nordestino e potiguar. A mídia livre no Rio Grande do Norte ganha nesta sexta-feira (9) um veículo de comunicação voltado para cobrir exclusivamente as pautas de interesse das mulheres. O coletivo Arretadas lança o site oficial a partir das 18h, no pátio do Palácio da Cultura (atual Pinacoteca), no Centro. O evento vai contar com o debate sobre mulheres e mídia, apresentações culturais, feira e bazar solidário. O Coletivo Arretadas é formado pela publicitária Marcia Mello e pelas jornalistas Cellina Carvalho e Idyane França. O financiamento do coletivo virá de parcerias com entidades e movimentos sociais, além da contribuição voluntária e individual de leitores e leitoras. Os projeto também prevê a realização de oficinas sobre mídia livre, feminismo e outros temas.

Embora o lançamento oficial ocorre na semana do 8 de março, quando é celebrado o Dia Internacional da Mulher, o coletivo já vinha produzindo conteúdo para as redes sociais, a exemplo da cobertura especial para o julgamento do ex-presidente Lula no Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre, em janeiro.

Segundo a jornalista Cellina Carvalho, a ideia de criar um coletivo específico para trabalhar as pautas relacionadas às mulheres surgiu durante o Encontro Latino-americano de Midiaativistas, realizado em 2017, na Argentina. As jornalistas potiguares perceberam que a maioria dos veículos de mídia livre eram construídos por mulheres, mas os cargos de direção e gestão estavam sendo ocupados por homens, aliás, um problema que pode ser estendido para vários segmentos da sociedade.

– Vimos como era importante ter um coletivo voltado para as pautas das mulheres porque enquanto mulheres somos oprimidas diariamente e falar sobre isso é essencial para desconstruir o machismo. As meninas participam ativamente da construção de mídia latinos mas a maioria dos cargos de gestão estão ocupados por homens. Sentimos essa necessidade de ter um coletivo gerenciado completamente por mulheres e para falar sobre mulheres. O Coletivo Arretadas nasce dessa demanda

O conteúdo produzido pelo coletivo Arretadas vai contar com entrevistas, vídeos, reportagens e atualização diária. Haverá um canal de comunicação direto com as leitoras e os leitores para publicações individuais.

– Faremos parcerias com grupos de mulheres e teremos financiamento individual para geração de recursos. As leitoras e os leitores poderão contribuir mandando seu material, vídeos, artigos, poemas, produção individual.

A inspiração do coletivo é a luta feminista. Para Cellina Carvalho, o crescimento da mídia atualmente é essencial na atual conjuntura. Ela cita o exemplo da Mídia Ninja, criado a partir das lutas de junho de 2013 e que engajou na luta contra o impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff. A jornalista destaca que é fundamental tomar posição.

– A imparcialidade na comunicação é um mito, mas a mídia tradicional ainda vende como se fosse verdade. É importante falar abertamente que você tem uma pauta voltada para um determinado lado sem polarizar demais porque nossa ideia é trabalhar com as pautas de esquerda, assim como fazem aos coletivos Mídia Ninja, Brasil de Fato, Jornalistas Livres, Saiba Mais… tomar posição é algo que já acontece com os jornais americanos e acho que o nosso maior objetivo é apresentar o outro lado da moeda. As mulheres precisam ocupar os lugares de fala e os lugares delas na sociedade.

 

 

Artigo anteriorPróximo artigo
Rafael Duarte
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"