TRANSPARÊNCIA

Com 238% mais mortes por covid em março, empresários pressionam e Governo do RN reabre comércio e escolas

O Rio Grande do Norte registrou 817 mortes por covid-19 no mês de março até a manhã desta quinta-feira (1º). O número representa acréscimo de 238% com relação a fevereiro, quando foram notificadas 343, e pode crescer, já que há óbitos em investigação.

Nesse cenário, após duas semanas de medidas rígidas, com a suspensão de serviços não essenciais, o Governo do RN anuncia novo decreto com medidas mais flexíveis. A partir da próxima semana, as escolas poderão retomar aulas presenciais no ensino fundamental e todo o comércio poderá ser reaberto, respeitando protocolos de segurança.

O prazo de vigência do decreto 30.419/2021, que só permite o funcionamento dos serviços essenciais, foi prorrogado por mais dois dias, até 04 de abril, quando o novo entra em vigor e ficará em vigência até o dia 16 de abril.

A decisão foi tomada após sucessivas reuniões com diversos segmentos empresariais. Os detalhes do novo decreto foram alinhados na quarta-feira (30) em reunião do Governo do Estado com os Ministérios Públicos Federal, Estadual e do Trabalho; a diretoria da Federação dos Municípios e presidentes de associações municipais.

O médico epidemiologista e pesquisador do Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (LAIS/UFRN) Ion de Andrade acredita que o total de óbitos em março será em torno de mil, incluindo os já confirmados, aqueles que ainda vão se confirmar, suspeitos que ficam sem conclusão e invisíveis.

Ele explica que invisíveis são casos que acabam sendo registrados como em decorrência de doença cardiovascular ou pneumonia grave, mas que estão relacionados à covid que não teve diagnóstico fechado.
“Depois, na retrospectiva e na comparação com as séries históricas dessas doenças se vê que houve um excesso de óbitos relacionados a essas enfermidades. São invisíveis por natureza e só poderão ser apontados como covid possível, não mais como diagnóstico”, explicou.

Março foi ainda o mês com mais mortes à espera de UTI, 172, e maior número acumulado de casos confirmados. Foram 26.407 testes positivos. Antes o recorde era de junho de 2020, com 23.764.

Os dados atualizados na manhã desta quinta-feira (1º) indicam 4.507 mortes, sendo 638 entre os que aguardavam leito crítico. Já são 196.261 casos da doença confirmados.

Diante disso, o especialista acredita que as medidas de flexibilização devem ser discutidas, para que sejam estabelecidos os parâmetros para o retorno das atividades, incluindo aulas presenciais.

“O momento não é de flexibilização, é de discussão dos parâmetros de flexibilização porque as condições dadas atualmente impossibilitam ainda essa volta à normalidade plena”, alerta, sugerindo que a volta às aulas seja precedida pela vacinação dos professores e por outras medidas que auxiliem na garantia da segurança dos estudantes.

Ion de Andrade entende que, após anunciar novas medidas, a governadora Fátima Bezerra deve se manter flexível para observar o cenário pandêmico e se necessário rever e adiar as medidas de flexibilização.

“Muita água vai rolar até o dia 4 e o governo do estado deve estar atento para evitar uma flexibilização que talvez não tenha espaço para que seja materializada porque as condições podem não ser boas”, conclui.

O médico pesquisador acrescenta que houve diminuição da fila de pacientes para UTI, uma queda de cerca de 100 pessoas, mas ressalta que se há fila as vagas hospitalares ainda não são suficientes para todos, porque ainda é alta a taxa de doentes.

NOVAS REGRAS

O toque de recolher voltará como no decreto anterior, de segunda a sábado das 20h até as 6h do dia seguinte, e em tempo integral aos domingos e feriados. Durante a vigência do novo decreto, fica proibida a venda de bebidas alcoólicas para consumo em ambientes público e coletivo, inclusive restaurantes, lojas de conveniência, praça de alimentação e similares.

O comércio poderá funcionar sob rígido controle sanitário, limitada a frequência de pessoas a 50% da capacidade do espaço do estabelecimento ou ao limite máximo de uma pessoa por cada cinco metros quadrados, o que for menor. O horário de funcionamento será alternado, conforme proposta das federações empresariais.

Ficam liberadas as aulas presenciais nas escolas até a 5ª série do ensino fundamental, conforme escolha dos gestores e pais ou responsáveis. As demais séries somente poderão ter aulas pelo sistema remoto.
O decreto também flexibiliza o funcionamento de igrejas e academias, ambas com funcionamento liberado entre as 6h e as 20h.

As celebrações religiosas podem ser realizadas em ambientes coletivos, desde que a ocupação não seja superior a 20% da capacidade, respeitando sempre o limite de uma pessoa por cinco metros quadrados.
As academias voltadas para atividades físicas devem observar o limite de 50% da capacidade de suas instalações, ficando sujeitas também à regra da ocupação de espaço dos cinco metros quadrados, e não poderão funcionar nos domingos e feriados enquanto o toque de recolher estiver em vigor.

 

 

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