TRANSPARÊNCIA

Com aglomerações no carnaval, RN pode enfrentar nova onda de contaminações com hospitais já lotados

Com 75,92% de ocupação de seus leitos críticos (semi-intensivos e UTI), o Rio Grande do Norte pode ter pela frente uma situação ainda mais complicada diante dos flagrantes de aglomerações registrados, por exemplo, na Praia de Pipa durante o final de semana. O alerta foi feito pelo professor José Dias do Nascimento Júnior, do Departamento de Física da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), também responsável por desenvolver o modelo físico-matemático de projeções MOSAIC, utilizado pelos demais estados do Nordeste para tentar prever os próximos passos diante da pandemia da covid-19.

A gravidade atual vem do fato de estarmos entrando nessas taxas de contaminação, com uma alta taxa de ocupação de leitos e saindo de um carnaval com registro de aglomerações”, adverte.

Imagem: Projeção feita pelo Modelo MOSAIC/ UFRN

De acordo com o levantamento, nos últimos 15 dias o Rio Grande do Norte tem tido a mesma média de casos diários que o estado enfrentou no auge da primeira onda da pandemia quando, durante alguns dias, foi registrada uma média de 800 casos diários do novo coronavírus.

A situação é mais grave agora porque o número já se acumula por semanas e a quantidade de óbitos diários tem se mantido em torno de dez desde meados de dezembro. Já são 60 dias nesse ritmo”, avalia José Dias.

O professor do Departamento de Física da UFRN explica, ainda, que o aumento recente dos casos de covid-19 no estado estaria relacionado a uma retenção dos dados entre os primeiros sintomas apresentados pelo paciente e a confirmação do diagnóstico.

“Historicamente, a confirmação dos dados no RN sofre subnotificação de, pelo menos, um mês. Somente agora estamos vendo o que aconteceu no Natal e Réveillon. A ocupação das UTI’s dos hospitais públicos e privados aumentou em dezembro e não baixou mais, segue oscilando. Com isso, podemos ter uma segunda fase extremamente larga de casos confirmados”, alerta José Dias do Nascimento Júnior.

O Rio Grande do Norte, segundo as projeções do modelo MOSAIC, teve uma segunda onda da covid-19 a partir do mês de novembro e, sem vacina, o estado pode enfrentar uma segunda onda ainda mais extensa, provocada pelas aglomerações do carnaval.

Sem vacina, a única forma de segurar as taxas de agravamento é evitando aglomerações, a desobediência das restrições vai alargar ainda mais a segunda onda e manterá taxas de hospitalizações elevadas por mais tempo”, projeta o professor do Departamento de Física da UFRN e membro do Comitê Científico do Nordeste.

Taxa de ocupação

O Rio Grande do Norte tinha até esta segunda (15) um total de 156.939 casos confirmados e 3.143 mortes decorrentes da covid-19. Os dados foram divulgados no boletim mais recente da Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap), que ainda investiga outros 72.141 casos suspeitos e 635 óbitos. Esses números poderiam ser ainda maiores se os 65.816 casos de Síndrome Gripal Não Especificada tivessem tido diagnóstico fechado. Como  Síndrome são contabilizados os casos suspeitos, porém inconclusos, para os quais não foi possível realizar um diagnóstico laboratorial.

Com esses números, o RN tinha até a manhã desta terça (16), um total de oito hospitais com seus leitos críticos (semi-intensivos e UTI) completamente ocupados; o Hospital de Campanha de Natal, o Giselda Trigueiro (Natal), o Hospital Manoel Lucas de Miranda (Guamaré), o Hospital Maternidade do Divino Amor (Parnamirim), o Hospital Regional de João Câmara, o Hospital Regional Lindolfo Gomes Vidal (Santo Antônio), o Hospital Regional Nelson Inácio dos Santos (Açu) e a Unidade Materno Infantil Integrada de São Paulo do Potengi.

Além dessas unidades, outros três hospitais estão com a ocupação de seus leitos críticos acima dos 80%; o Hospital Colônia Dr João Machado (93,10%), em Natal, o Hospital Tarcísio Maia (88,89%), em Mossoró, e o Hospital Municipal Aluízio Bezerra (83,33%), em Santa Cruz. A Região Metropolitana de Natal continua sendo a que apresenta situação mais preocupante com 82,31% dos leitos críticos ocupados. Em seguida vem o Seridó com 74,29% e a Região Oeste, com 66,25%. O Rio Grande do Norte tem uma taxa total 75,92% de ocupação.

    Imagem: reprodução Lais/ UFRN

Aglomerações

Com os flagrantes de aglomerações na Praia de Pipa, durante o final de semana, a  Prefeitura de Tibau do Sul publicou um decreto proibindo a abertura de bares, restaurantes e lojas após as 22 horas. A medida foi anunciada pelo prefeito do município, Valdenicio Costa (DEM), depois de reunião realizada na Secretaria de Turismo de Tibau do Sul com a presença do titular da Secretaria de Estado de Segurança Pública (SESED), coronel Francisco Araújo Silva, o secretário adjunto da SESED, delegado Osmir Monte, o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Alarico Azevedo, o comandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Monteiro Junior, e o delegado Inácio Rodrigues, diretor de Polícia Civil do Interior. Como resultado, já na noite desta segunda (16), foi possível registrar as ruas quase vazias em Pipa.

Ruas vazias em Pipa depois de decreto para evitar aglomerações I Fotos: Sesed

Também foram registradas aglomerações na Praia de Barreta, em Nísia Floresta e, assim como em Pipa, o local recebeu reforço policial para evitar novas ocorrências durante o carnaval.

 

Imagem: Chegada da polícia à Paria de Barreta depois de registro de aglomerações I Reprodução redes sociais

 

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