CIDADANIA

Com aulas remotas e empenho extra, estudantes de escola pública do RN têm boas notas no Enem

Sem aulas presenciais por causa da pandemia, as escolas públicas do Rio Grande do Norte buscaram alternativas para continuar o ano letivo e dar suporte aos concluintes do ensino médio, que passariam pelo Enem. Em 2020, das 615 unidades de ensino da rede estadual, 92% desenvolveram algum tipo de atividade remota, com auxílio de internet, TV, rádio ou material impresso. Em certa medida, os resultados foram positivos.

De acordo com a Secretaria de Estado da Educação e da Cultura, o Ministério da Educação não dispõe da lista de candidatos de escolas públicas aprovados, entretanto os relatos são numerosos.

No Centro Estadual de Educação Profissional Professora Lourdinha Guerra, em Nova Parnamirim, 36 estudantes tiveram boas notas no exame nacional e conseguiram ingressar, por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), nos cursos que desejavam.

No RN, 92% das escolas da rede pública desenvolveram algum tipo de atividade remota, com auxílio de internet, TV, rádio ou material.

Aconteceu com Bryan Eric, de 17 anos, aluno do curso técnico de Informática. Ele comemorou junto da família o 2º lugar na lista de aprovados em Redes de Computadores, no IFRN. O curso estava decidido desde o 8º ano. Sem a habitual rotina de ir às aulas, ele conta que usou ainda mais a internet para pesquisas e estudos.

Além da vida escolar, os professores têm uma vida pessoal. A forma como eles estavam disponíveis era suficiente, mas no ensino presencial a gente podia ir na sala dos professores tirar uma dúvida. No ensino remoto, se mandasse uma mensagem, alguns não poderiam responder na hora, porque tinham muitas aulas com outras turmas. Então a gente ficava pesquisando na internet”, contou.

Bryan lembra que entre o começo do lockdown no ano passado e o início das aulas remotas, tiveram duas semanas sem atividades e que nesse período a escola, que é de ensino técnico e tempo integral, estimulou o grupo a elaborar seu próprio programa de estudos para revisão de conteúdo.

Quando os professores iniciaram as aulas online, Bryan conciliou sua programação à da escola:

“Na pandemia, a escola particular tem uma rotina bem regrada, tem aula de 7h às 12h. Na nossa escola não tinha horário fixo, eles passavam cronograma, tipo das 12h30 às 15h e outra aula às 17h. Teve dia que apresentei um seminário de manhã e voltei pra aula à tarde”.

Desafio

“Tirando toda a parte ruim da situação, foi o ano que mais estudei”, revelou Bryan, lembrando que o curso técnico exige Trabalho de Conclusão de Curso para a formatura. “Eu sabia: preciso estudar mais do que estudo. Foi desafiador”, concluiu.

A colega do curso Stefane de Assis, de 18 anos, também relata que se sentiu sobrecarregada com o TCC, mas seguiu firme e conseguiu nota suficiente para entrar no curso de Tecnologia da Informação, na UFRN.

Stefane foi aprovada no curso de Tecnologia da Informação, na UFRN

Ambos ficaram inquietos no período de provas. Ela disse que ficou muito nervosa e ele teve insônia, mas nada que os prejudicasse na hora de responder as questões.

Stefane conta que no início da pandemia desanimou:

“Todas as minhas expectativas foram quebradas quando soube que a quarentena ia se prolongar. Perdi as esperanças de que ia passar no Enem. Achava que estava aprendendo menos. Minhas expectativas foram embora, mas mesmo assim estava me esforçando como pude”.

Stefane mora com mãe, pai, irmão mais novo, uma prima e um primo. Filha de técnica de enfermagem, a estudante viu a covid em casa. A mãe foi a única que conseguiu fazer o teste, por ser da área de saúde. Felizmente, todos ficaram bem em alguns dias.

Assim como Bryan, Stefane também procurava atividades extra e pedia para os professores corrigirem redações que fazia por conta própria. No exame, ficou com nota 840, bem acima da média em 2020, que foi de 588,74.

Avaliando não só seu desempenho, mas todo o ano letivo, Stefane diz que foi melhor do que esperava.

“Fiquei muito feliz com o resultado. Sei que há escolas que não tiveram aulas. Na nossa, os professores se juntaram pra criar a ambiência adequada. No início foi difícil, mas depois foi caminhando”.

 

 

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Isabela Santos
Isabela Santos é jornalista e repórter da agência Saiba Mais

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