CIDADANIA

Com avanço de vacinação, voluntários de estudo em Natal relatam demora em quebra de sigilo para saber se tomaram placebo

Chegada a oportunidade de receber vacina anti-covid-19, quem participa de testes de imunizantes tem o direito de saber se tomou placebo ou não. Com o avanço da vacinação por idade para aqueles que não possuem comorbidades e de algumas categorias laborais, é grande o volume de pedidos de “quebra do cego” do teste da Clover, realizado pelo Instituto Atena de Pesquisa Clínica, em Natal, e voluntários reclamam da demora na entrega da informação.

São 3.100 participantes e de acordo com a médica investigadora principal, Maria Sanali Paiva, o Instituto tem recebido diariamente uma média de 300 solicitações e somente ela tem autorização de efetuar a quebra.

“A gente precisa fazer um processo dentro do protocolo, preencher o formulário e isso leva em torno de 15 minutos para cada pessoa. Por isso que demora um pouco. A gente pede encarecidamente que os voluntários tenham paciência, porque estamos trabalhando muito nisso”, explicou a médica, dizendo que tem entrado em contato com as pessoas até as 11 horas da noite.

Segundo Maria Sanali, a maioria das pessoas envolvidas no estudo está entre 18 e 30 anos, e que estão tendo acesso à vacina por causa da categoria. “Tem muitas pessoas que trabalham com aplicativo, são estagiários ou bolsistas da universidade, trabalham na indústria”, detalha.

As primeiras doses começaram a ser administradas em 4 de junho e as segundas terminam no próximo sábado, 10 de julho. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou, no dia 16 de abril os testes clínicos de fase 3 no Brasil da Clover.

Um voluntário que não se identificou relatou que está há alguns dias tentando saber se é do grupo placebo. Ele tem 40 anos e realizou o pedido na segunda-feira (5), mas até a noite desta quinta-feira (8) estava sem a resposta.

“Eu e minha família nos inscrevemos em abril. A gente não tinha perspectiva de que a vacinação pelo SUS iria avançar rápido. Em maio tive covid e ligaram início de junho pra tomar a primeira dose ou placebo e o compromisso que tem no termo de consentimento diz que se chegar a nossa idade, você pode pedir a quebra do ‘cego’. Eu já posso tomar a vacina há dias e isso provoca angústia”, relatou.

Ele também diz que algumas pessoas que não tiveram paciência de esperar a informação acabaram tomando a vacina ofertada pelo SUS quando pode.

O Instituto alerta sobre riscos dessa decisão: “A gente não recomenda que receba outra vacina sem que nos informe, porque não existem estudos satisfatórios sobre a mistura de imunizantes. Estamos correndo e pedimos que ninguém faça algo que possa eventualmente causar algum problema”, orientou a médica Sanali.

Outra pessoa que também participou do estudo, disse que teve dois dias de espera e que ao receber o telefonema com a resposta lhe foi explicada sobre a alta demanda. “Pedi no dia 29 de junho e no dia 1º de julho me informaram. Não achei que demorei muito, já que

Teste com AstraZeneca

Uma voluntária do estudo feito com AstraZeneca/Oxford em Natal, pelo Centro de Pesquisas Clínicas – CePClin, relatou uma experiência completamente diferente. O experimento envolveu cerca de 1.500 adultos. Ela recebeu as doses em outubro e novembro e o laboratório foi quem tomou a iniciativa de quebrar o sigilo sobre a sua participação com a chegada da sua vez em se vacinar na campanha nacional.

Técnica de enfermagem, ela estava no grupo prioritário de profissionais da saúde na linha de frente. “Tive a quebra do sigilo, e me foi revelado que eu havia tomado as doses e não placebo. Eles nos chamam lá e uma medica nos informa. E se tivermos tomado placebo, a própria pesquisa nos vacina”, contou, ressaltando que a pesquisa continua com protocolo de exames.

“Estou sendo muito bem assistida por médicos e cientistas. Faço testes todos os meses, exames e doo sangue para medicações experimentais, pois produzi muita imunoglobulinas. É muito sério, e são ótimos de verdade. Não me arrependo”, elogiou.

A reportagem tentou contato com a CePClin, mas não recebeu retorno até a publicação desta matéria.

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Isabela Santos
Isabela Santos é jornalista e repórter da agência Saiba Mais

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