OPINIÃO

Com Bolsonaro o BraZil mergulha numa distopia sombria

Somos um país que termina a primeira década do século XXI, parecendo, em termos econômicos, o país que iniciava a primeira década desse primeiro século, em 2011. Naquele começo de ano, o país estava com uma taxa de desemprego em 6,7%, de acordo com o IBGE; e o PIB brasileiro tinha crescido nada menos que 7,5% no anterior. Era esse o Brasil, país que tornara-se respeitado no mundo, trabalhando pela multipolaridade, ou seja, um mundo em que o eixo central era a negociação, e o Brasil liderava esse processo inclusive tendo sido o articulador da criação do “Grupo dos 5”, em 2005, formado pelo Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul, que pretendia fazer avançar o princípio do multipolaridade situando esses países em base iguais aos do Grupo dos 20, liderados pela OCDE e EUA. Esse era Brasil.

Passados dez anos, o que temos? Um golpe parlamentar, em maio de 2016, seguido de um espetacular ataque a todos os direitos sociais; o encolhimento vexaminoso do Estado, chegando às raias do servilismo; desmonte de várias áreas prioritárias a partir da aprovação da Emenda Constitucional 95, a “mãe de todas as tragédias”. Bolsonaro, com sua incapacidade crônica, acelerou todos os processos citados. A pandemia, que se inicia no BraZil em fevereiro desse ano, encontrou o país enfraquecido por uma política econômica suicida e um governo que simplesmente cruzou os braços e promoveu a política genocida de sabotar o isolamento social.

Comparando os indicadores de um Brasil que estava no segundo ano da quebradeira internacional de 2007-2008, culminando na maior crise do sistema capitalista desde 1929; e os do BraZil, enfraquecido e posteriormente desmoralizado, chegou a 2020 com uma taxa de desemprego que terminou 2019 com 11,9% e que, 4 meses depois passou para 12,6% e com um PIB que terminou com um “crescimento” de 0,9% e, com a pandemia, ameaça a ter um recuo de 10% só esse ano, veremos que a vida das pessoas piorou e deverá infelizmente, piorar nos próximos anos.

O BraZil sofre a maior vergonha histórica, com um governo desqualificado e que, aos poucos, desnuda seu véu e podemos ver sua face mais explícita. Sermos o pária da humanidade, considerado o país de PIOR desempenho no combate à pandemia, tem e terá forte impacto nas relações econômicas internacionais e os país já nos trata como “país sob perigo de pandemia” e que precisa desesperadamente traçar uma política econômica que faça fortes investimentos públicos e esse governo, fascista, não tem o mínimo interesse nesse tipo de política econômica.

Todos os segmentos sociais estão sendo atingidos. A parte de cima da pirâmide, que soltou rojões quando do Golpe e que apoiou ostensivamente, junto com boa parte da classe média, a ascensão do Napoleão de Hospício, observa atentamente o cenário devastador e prepara o descarte de Bolsonaro pois esse fascista desequilibrado começa a ser um entrave à estabilização, muito necessário ao movimento de fluxo de capitais.

A parte de baixo da pirâmide, está no desespero pois encontra-se no último vagão do trem chamado BraZil e nem as migalhas, as sobras das grandes fanfarras da elite estão recebendo. Essa massa, sem emprego e sem futuro, deambula pelas ruas, contaminadas pelo vírus da ignorância e pelo sentimento de desespero, algo real para a população mais pobre. Já as camadas medias, por outro lado, estão atordoadas, afinal elegeram um político que dizia ser o “novo”, mesmo que todo o seu histórico demonstrasse o contrário, e este, desde o seu primeiro dia de governo, iniciou um espetacular e desastroso desmonte de todas as políticas públicas, o aparelhamento do Estado por militares e pessoas de pequena estatura política e instalou a instabilidade permanente, uma tática para ir, aos poucos, preparando um Golpe que se remeteria a 1964.

Bolsonaro, se não for afastado, ainda fará muitas famílias brasileiras lamentarem a morte dos seus entes queridos, em função do simples abandono do governo central e o país mergulhará definitivamente num abismo em que poderemos ver crescer os conflitos sociais, além de um isolamento internacional que deixará o país fora da geopolítica, uma verdadeira tragédia histórica.

Um governo delinquente, que trapaceia, esconde, corrompe e tem ligações diretas com setores nitidamente criminosos, de alta periculosidade, revela que a classe média, um dos principais sustentáculos da eleição de Bolsonaro, será responsabilizada historicamente pela tragédia que atinge o país.

 

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