TRANSPARÊNCIA

Com dois ministros de Natal no governo, Bolsonaro tem aprovação de apenas 39% na capital potiguar

O governo Bolsonaro segue mal avaliado pelos natalenses mesmo com dois ministros do Rio Grande do Norte, e base eleitoral em Natal, ocupando cargos estratégicos na gestão federal. De acordo com levantamento realizado pelo Ibope em 25 capitais brasileiras divulgado neste sábado (17), apenas 39% da população de Natal avalia como “ótima ou boa” a administração do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Os demais 60% classificam a gestão bolsonarista como ruim ou péssima (37%) ou regular (23%).

A capital onde Bolsonaro é pior avaliado é Salvador (BA), onde apenas 18% da população considera como “ótima ou boa” a gestão dele e 62% avalia como péssima ou ruim a administração bolsonarista no governo federal. Na capital baiana, o prefeito é Antônio Carlos Magalhães Neto (DEM).

Os números em Natal também chamam a atenção porque, pela primeira vez na história, o governo federal conta com dois ministros nascidos na capital do Estado.

Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional) e Fábio Faria (Comunicações) são neto e filho de políticos tradicionais, respectivamente, mas ainda não demonstraram força para ajudar a alavancar a popularidade de Bolsonaro no Rio Grande do Norte.

Se o presidente da República tivesse usado apenas o resultado eleitoral de 2018 como parâmetro nem teria convidado a dupla para ocupar ministérios estratégicos no Governo.

Ex-deputado federal, Rogério Marinho (sem partido) não conseguiu a reeleição mesmo investindo pesado na segunda campanha mais cara do Estado para o cargo. Ele amargou apenas a 12ª posição, alcançando apenas a segunda suplência. Na primeira entrevista logo após a derrota, o ex-parlamentar que deixou o PSDB em junho de 2020 admitiu que foi prejudicado eleitoralmente pelo fato de ter sido o relator da reforma trabalhista – projeto que alterou mais de 100 artigos da CLT e representou um ataque sem precedentes aos direitos dos trabalhadores do país.

Já Fábio Faria (PSD), mesmo vindo de dois mandato consecutivos, foi o último candidato eleito e mesmo assim precisou da ajuda dos votos da coligação para permanecer na Câmara dos Deputados. Filho do ex-governador Robinson Faria, que também fracassou na tentativa de reeleição, o ministro das Comunicações “perdeu” mais de 96,1 mil votos da eleição de 2014, quando obteve o apoio de 166,4 mil eleitores, para o pleito de 2018, votado por 70,3 mil potiguares.

O bolsonarismo e as eleições municipais

Apesar de mal avaliado, Bolsonaro tem servido de muleta para mais da metade dos candidatos a prefeitura de Natal em 2020. O atual chefe do executivo Álvaro Dias (PSDB) e líder nas pesquisas é um entusiasta das ideias do presidente e, desde o início da pandemia, passou a defender medicamentos sem comprovação científica no combate a Covid-19, como a hidroxicloroquina, a cloroquina e a ivermectina.

Dias também boicotou várias medidas mais duras determinadas por decreto pelo Governo do Estado, antecipou ações anunciadas pela governadora Fátima Bezerra para ganhar palanque e afrouxou a fiscalização do comércio e das praias.

Segundo colocado nas pesquisas, Kelps Lima (Solidariedade) também não é declaradamente o candidato de Jair Bolsonaro, mas tentou se aproximar da ala bolsonarista durante a pré-campanha anunciando aliança (que acabou não se concretizando) com o PSL, ex-partido do presidente e onde ainda estão boa parte dos seguidores de Bolsonaro.

O delegado Sérgio Leocádio (PSL), que em pesquisa divulgada no sábado pelo Instituto Paraná apareceu em 3º nas pesquisas, é o candidato que mais usa a imagem e o discurso do presidente da República. Focando na segurança pública e no combate à corrupção, se agarra aos clichês, como o contraponto à velha política, para atrair eleitores de Bolsonaro. Leocádio foi secretário da ex-prefeita de Natal Micarla de Sousa (PV).

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Rafael Duarte
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"

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