OPINIÃO

Com Henrique, silêncio e discrição; Com Fátima, barulho e fúria

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Chamou minha atenção a informação de que, entre as revelações do ex-procurador geral da República e quase assassino e quase suicida Rodrigo Janot estava a de que no seu livro de memórias  recém-lançado “Nada a menos que tudo”, ele dedique três páginas para narrar fatos envolvendo o ex-deputado federal potiguar Henrique Alves, do MDB, como até foi noticiado aqui nesta Saiba Mais. Na verdade, Janot ironiza e debocha o potiguar, que havia ocupado a presidência da Câmara Federal e somou 11 mandatos consecutivos como deputado federal.

Janot afirma que Henrique Alves “também se esforçou muito para ficar de fora da lista de investigados”. O ex-procurador conta que aceitou receber o potiguar em pelo menos três audiências e, numa delas, Alves teria chorado ao perceber que um dos inquéritos que o investigara havia sido arquivado por falta de provas. Na segunda audiência entre os dois, assim que entrou no gabinete de Janot, Henrique recebeu o famoso “envelope pardo” onde geralmente o PGR colocava os ofícios comunicando políticos e agentes públicos sobre a decisão de prosseguir com o inquérito ou pedir o arquivamento da investigação. Como agradecimento, Alves teria enviado uma garrafa de cachaça de presente para Janot, que desdenha do presente no livro.

Não que eu duvidasse que Henrique se comportasse desta forma. O que chamou minha atenção foi o silêncio quase total de jornalistas e palpiteiros de Facebook diante do fato.

Pessoas que vejo diariamente vociferando contra a corrupção e agredindo verbalmente quem pensa diferente se mantém olimpicamente silenciosas quando o assunto envolve pessoas com o sobrenome Alves e que já tenham ocupado mandatos eletivos. Já debati feio esse tema em priscas eras, aqui nas redes, e já perdi amizades reais e virtuais justamente por causa disso: indignação seletiva.

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Na verdade, quase tudo que envolve Henrique sempre foi mantido em uma bolha de silêncio e discrição.

Silêncio e comedimento que não percebo quando se trata de outros políticos potiguares, como a governadora Fátima Bezerra, por exemplo.

Fátima está longe de ser perfeita e tem lá seus deslizes políticos. Mas, a carga de críticas que recebe de blogueiros, jornalistas (sic) e internautas cheios de palpite para dar, é totalmente desproporcional aos eventuais equívocos de gestão, assim como acontecem em menor escala do que com gestores anteriores. Traduzindo para o bom português: Cobra-se muito mais de Fátima no décimo mês de Governo do que de Robinson no segundo e terceiro ano de mandato, por exemplo. E com palavras mais agressivas.

Essa desproporcionalidade permite a especulação que a política de dois pesos, duas medidas se dê porque Fátima é do PT. Ou por ser mulher.

Basta observar que factoides como o Governo Fátima não ter desejado entrar no polêmico programa de escolas militares gerarau dezenas de matérias blogues afora e outro tanto de críticas. E a matéria de que um ex-deputado potiguar pediu a um procurador para não ser investigado e tenha chorado para ele mal ganhou uma dezena de matérias, com repercussão morna e poucos comentários de ordem furiosa.

Repetindo: são dois pesos e duas medidas que chama. Olha que Deus está vendo. Quem faz prints, também.

 

 

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