TRANSPARÊNCIA

Comerciante bolsonarista que torturou quilombola é solto 24 horas depois de preso em Portalegre

A juíza Mônica Maria Andrade mandou soltar neste sábado (18) o comerciante bolsonarista Alberan de Freitas Epifânio 24 horas depois de determinar a prisão dele em Portalegre, município do interior do Rio Grande do Norte distante390 quilômetros de Natal. A decisão é estendida ao servidor de Viçosa André Diogo Barbosa, que estava foragido. Os dois são acusados de torturar o quilombola Francisco Luciano Simplício em 11 de setembro.

O vídeo no qual Alberan e André aparecem espancando o jovem de 23 anos de idade amarrado por uma corda e jogado no chão viralizaram nas redes sociais e repercutiram nacionalmente. O Ministério Público Estadual opinou pela liberação de Alberan e André por não enxergar “extrema necessidade” de mantê-los presos. A Polícia Civil vê crime de tortura e havia pedido a prisão preventiva.

A juíza que mandou soltar os acusados foi a mesma que um dia antes havia determinado a prisão da dupla. Embora livres para responder o processo por crime de tortura em liberdade, a magistrada exigiu o cumprimento de algumas medidas cautelares, como:

1 – Proibição de ausentar-se da Comarca em que reside por um período superior a 15 dias sem prévia autorização

2 – Não mudar de residência, sem prévia permissão do Juízo competente;

3 – Não se aproximar ou manter qualquer contato com a vítima e testemunhas oculares – 100 metros (exceto se as testemunhas forem fazer compras em seu comércio).

4- Deverá se apresentar mensalmente em juízo e deverá se recolher na sua residência a partir das 19h até às 04h30.

Tortura

No sábado, 11 de setembro, Alberan e André estavam bebendo em um churrasco na frente da casa do comerciante, quando foram abordados por Luciano. O quilombola, de 23 anos, pediu dois pedaços de carne aos amigos e começou a ser xingado de vagabundo e drogado.

Por causa disso, Luciano foi até mercadinho de Alberan e jogou uma pedra na porta do estabelecimento. No vídeo da agressão que viralizou na internet aparece apenas Alberan, mas a Polícia Civil teve acesso a câmeras de segurança da rua que revelam a ação do outro homem, identificado como André Barbosa.

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Rafael Duarte
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"

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