CULTURA

Comissão da Câmara Federal aprova moção de repúdio contra Sérgio Camargo por descarte de 5.300 livros da Fundação Palmares

A Comissão de Educação da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira, 23, uma moção de repúdio contra o presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo, que pretende descartar cerca de 5.300 livros da biblioteca da instituição.

A moção foi proposta pelo deputado federal Rafael Motta, do PSB-RN. Dentre os livros, está um exemplar raro do “Dicionário do Folclore Brasileiro” do historiador potiguar Câmara Cascudo.

No último dia 11, um relatório divulgado no site da Fundação indicava a remoção de pelo menos 5.300 títulos do acervo institucional.  No documento, aparecem como justificativas para a retirada de até 95% dos exemplares por serem considerados, pela comissão analisadora, de caráter alheio ao escopo do órgão, apresentarem ideologia marxista ou estarem velhos e em desacordo ortográfico de 2009.

Exemplar raro de livro do historiador potiguar Câmara Cascudo será removido do acervo da instituição por alegações de que o livro apresenta “cheiro de mofo”.

“Quem consultar o clássico ‘Dicionário do Folclore Brasileiro’ terá em mãos um livro não só gramatical e ortograficamente desatualizado, mas com páginas soltas e exibindo um forte cheiro de mofo”. O trecho, que se refere a uma obra clássica do historiador natalense Câmara Cascudo, foi extraído de relatório divulgado pela Fundação Palmares.

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A proposta de moção aprovada na Comissão Parlamentar foi subscrita pelas deputadas Professora Rosa Neide, Professora Marcivânia, Lídice da Mata e pelos deputados Danilo Cabral, Leônidas Cristino, Pedro Uczai e Professor Israel.

“Jamais imaginei que começaria um discurso da minha parte citando um dos maiores tiranos do nosso mundo que foi (Adolf) Hitler. Ele falou que a grande sorte para os ditadores é que os homens não pensem. E é exatamente isso que está sendo conduzido hoje na fundação Palmares”, discursou o deputado potiguar durante a sessão.

Na proposta, o parlamentar argumenta que o “anúncio do expurgo de 5.300 livros é por si só um atentado contra as liberdades intelectual, cultural e de expressão e trava diálogo direto com práticas nazistas de queimas de publicações em praças públicas”.

Sobre a citação do relatório à obra de Cascudo, o documento alega que as acusações são reducionistas e desprezam o valor histórico e cultural de livros como o título do autor potiguar. O trecho também demonstraria desrespeito com a história e com a conservação de exemplares raros, obrigação que compete à Fundação como responsável por acervo que pertence ao povo brasileiro, argumenta o pedido de moção.

“O que cheira a mofo são as ideias desse governo. O que está solto, como se diz no Nordeste brasileiro, é o juízo dessas pessoas”, afirmou Rafael Motta durante discurso na Comissão.

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