CIDADANIA

João Maria Figueiredo: assassinato do precursor do Movimento de Policiais Antifascismo no RN completa 2 anos

O assassinato do soldado da Polícia Militar João Maria Figueiredo da Silva completou dois anos no domingo (20). Criador do Movimento de Policiais Antifascismo no Rio Grande do Norte, ele é lembrado com carinho por colegas da corporação.
Figueiredo tinha 36 anos quando pilotava motocicleta nas proximidades da estrada do Aeroporto Internacional Aluízio Alves e foi assassinado com quatro tiros por criminosos. Ele participava da equipe de segurança pessoal da então governadora eleita Fátima Bezerra (PT).

Colegas de farda de Figueiredo chegaram a defender a tese de crime político, mas o inquérito aberto pela polícia concluiu que o policial foi vítima de latrocínio, roubo seguido de morte.

O PM havia ingressado na Polícia Militar em 2009 e era lotado no pelotão da PM em Taipu. Sabendo da criação de um grupo antifascista organizado dentro da polícia, no final de 2017, logo se interessou.

O coordenador do Movimento Policiais Antifascismo RN, Pedro Che conta que, na época, Figueiredo descobriu que o delegado Orlando Zaccone, fundador do movimento no Brasil, estava em Pipa com a família e foi até lá.

“Sem eles nem se conhecerem, chegou lá, acabou com o descanso do Zaccone (risos), disse a que veio, queria trazer o movimento. Ele fazia o que fosse necessário fazer, não tinha inibição alguma”, lembra. “O Figueiredo era o tipo de pessoa que não ligava para fronteiras e dificuldades e isso é muito precioso para movimentos como o nosso, de vanguarda”, avalia Pedro Che.

O colega acredita que de uma forma ou de outra, o movimento chegaria ao estado, mas “seria outro”, talvez algo opaco, tímido e, se hoje tem cerca de oitenta membros, seria esvaziado.

“Ele era uma pessoa definitivamente inteligente, forte e corajosa. Com sua ousadia, e com seu trabalho de formiguinha, foi conversando com todos os progressistas, inclusive eu. E como bom Pedro, neguei por três vezes o chamado, não por temor”, relata o atual coordenador.

“Eu tinha a mesma visão dele quanto ao valor do movimento, mas criticava o fato de aparentemente ele ter sido por um tempo como um divã, onde policiais podiam se expressar politicamente, sem uma atuação militante. Mas no quarto convite aceitei por ter em mente que estaria lá para que fosse diferente, para que o movimento fosse à rua, em direção a sua natureza”.

 

 

 

 

 

 

 

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Isabela Santos
Isabela Santos é jornalista e repórter da agência Saiba Mais