CULTURA

Composição potiguar chega a semifinal de concurso nacional da Rádio Mec

A composição “Despertar”, criada por Marzelê Maribondo, está na semifinal do Festival de Música da Rádio Mec, que em 2021 tem sua primeira edição nacional. A canção em estilo lírico é a única a representar o Rio Grande do Norte na categoria ‘Música Clássica’. Ela foi escrita em 2018, a partir de um poema do próprio Marzelê em parceria com a poeta potiguar Rosa de França, como resultado do curso de bacharelado em composição da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). A canção é interpretada pela cantora lírica, Daliana Cavalcanti, também de origem potiguar, formada em música com habilitação em canto lírico pela Escola de Música, da UFRN, e mestrado em Artes Cênicas.

“Estou muito feliz e confiante com essa parceria. Conheço o Marzelê há alguns anos e sei do potencial dele enquanto compositor e musicista de uma forma geral. Ele é muito bom em tudo o que se propõe a fazer. Por isso, a confiança!“, elogia Daliana.

Daliana Cavalcanti

Marzelê nasceu na Paraíba, mas veio para o Rio Grande do Norte com seis dias de vida e não saiu mais daqui. Ele começou a estudar violão em 1988, na Escola de Música da UFRN, e encontrou em casa sua maior referência.

“Meu pai, José Leal, sempre escutou muita música: forró, rock, MPB, música orquestral, música de concerto e, principalmente, muita ópera. Acho que aos 12 anos de idade eu já tinha escutado praticamente todas as grandes óperas. Ele lava louça ouvindo ópera! Eu cantava coral de uma maneira informal desde os 6 anos de idade e, aos 18, comecei a estudar canto lírico também. Ingressei no bacharelado em violão em 99 e fiquei até 2001”, conta Marzelê, que se afastou da academia para servir nas Forças Armadas e chegou a morar em Boa Vista de 2003 a 2008, onde criou o curso de violão clássico na Escola de Música de Roraima, foi coordenador de violão e teoria, além de também ter ministrado as disciplinas de Estética Musical e de História da Música. O compositor, que se considera potiguar, retornou à universidade em 2015.

Somente na categoria ‘Música Clássica’, o Festival de Música da Rádio Mec teve cerca de 149 inscritos e apenas 25 foram selecionados para a semifinal.

O Festival foi bem diversificado quanto às regiões em todas as categorias. Senti falta de maior participação da Região Norte. Mas, no geral, penso que o Nordeste está bem representado no Festival. Pouco ainda, mas bem mais do que eu imaginei que seria. Ter minha música tocada na Rádio MEC no Rio de Janeiro é muito bom. Levar meu nome, o da poeta Rosa de França e da cantora lírica Daliana Cavalcanti para fora das nossas fronteiras era o maior objetivo. Estou muito feliz com essa realização e as parcerias que escolhi. Achei muito expressivo estar entre os 25 selecionados. Ouvi os demais concorrentes e são composições belíssimas, o nível é muito alto. Sinto-me muito lisonjeado em estar lado a lado com esse grupo. Tem alguns compositores concorrendo que é gente que eu admiro, que tem uma carreira consolidada no Brasil e fora também. Fiquei muito surpreso em estar dentro desse grupo. Ainda não caiu a ficha direito!”, revela Marzelê, que começou a compor aos 13 anos, com canções populares. Em 1997 saiu a primeira música de concerto e em 2002, ele compôs várias obras para o próprio casamento.

Marzelê Maribondo

Além de grandes obras, a parceria de Marzelê com Daliana e Rosa de França, parece ter resultado, também, em grandes amizades.

“Conheci Marzelê, por meio do Grupo de Ópera Canto Del’Arte. Se imaginava que seríamos parceiros numa composição? Jamais! Ele já era um grande instrumentista e cantor de excelência. E eu, que jamais estudara música, já me sentia extremamente feliz por passar na seleção do corpo de ópera. Então, experimentava o grande prazer de cantar, tentava vencer os obstáculos e fazia amizades lindas e duradouras“, conta a poeta Rosa de França.

O Festival da Rádio Mec não é o primeiro concurso de música no currículo de Marzelê, que ganhou o Festival da Rádio Universitária, o Festival Música Potiguar Brasileira de 2019 pelo júri popular com a composição para piano solo ‘Teimosia – Sonatina em mi’, cujo livro-partitura está publicado na Amazon, em versão física e digital. Já em 2021, ‘Despertar’ também ficou em 4º lugar no Prêmio Potiguar de Música, organizado pela Oficina Livre de Música, apoiado pela Rádio Universitária.

Eu gosto muito de escrever pra voz e para coral. Estou compondo um missa armorial para bodas de casamento para cinco vozes solistas, coral e piano. Também estou compondo uma ópera e já até estreei uma ária dessa ópera no meu recital de canto realizado em 2019. Eu já escrevi peças pra canto com violão, canto e piano, piano solo, orquestra, set de percussão (12 instrumentos), quinteto de sopro, quarteto de cordas… Ainda faço muita música popular também. Gosto de compor MPB e xotes. Estou produzindo um álbum só de xotes que estou compondo. Se não lançar no final deste ano, deverei lançar no ano que vem”, promete o compositor, para quem não falta inspiração e energia.

Marzelê ainda é voluntário no Coral Canto do Povo, do Estado do RN, tenor e chefe de naipe no Madrigal da UFRN, e ainda toca violão quando é convidado.

Mas minha atividade principal é a composição. Estou sempre compondo e participando de festivais”, resume.

As músicas semifinalistas concorrem, simultaneamente, em duas modalidades: pelo júri técnico e pelo júri popular. As votações do júri popular começaram em 17 de julho e vão até o dia 23 de agosto pelo site do Festival da Rádio Mec.

Rosa de França

Saiba Mais – O que escuta atualmente?

Marzelê – Pode parecer pedante, mas, atualmente, eu escuto somente a mim mesmo. Costumo ouvir somente minhas próprias composições. Isso é uma tática para evitar inserir ideias de outras músicas já existentes nas minhas composições (isso pode ocorrer de forma inconsciente e por isso tento evitar registrar ideias musicais de outrem na minha mente). Claro que já ouvi muita música popular e de concerto ao longo da minha vida. Tive toda uma escola na infância e adolescência ouvindo muita MPB, muito rock, forró, samba… Ouvi muito Bach, Mozart, Beethoven, Chopin, Tchaikovsky, Brahms, Debussy, Stravinsky, Carl Orff, Mahler, muita ópera, muito violão de concerto. No violão, gosto muito de Leo Brouwer, Sérgio Assad e de Paulo Bellinatti. Aqui no Estado, gosto muito de Tico da Costa, Diogo Guanabara e, principalmente, Alexandre Atmarama.

Hoje escuto mais músicas de outros compositores quando faço pesquisa. Quando estou imerso em um processo composicional, se vou usar influências específicas ou células rítmico-melódicas de algum gênero específico ou de algum outro compositor específico, eu escuto bastante e pesquiso bastante para escolher o que fazer, o que usar.

 

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