OPINIÃO

confesso

Eveline Sin escreve às quartas-feiras na agência Saiba Mais

eu confesso. comecei vários textos pra estrear hoje no “saiba mais“. fiz lista de temas. frases de efeito. rasguei papéis. voltei o cursor mil vezes. rendeu poemas. faltou ar. respirei. respirei e decidi vir aqui e ser sincera com vocês. estamos tão carentes de verdades, não é mesmo? (e as verdades reveladas? as mentiras? têm nos atormentado. que tempo, carxs novxs leitorxs. que fase. resistiremos).

ser sincera com vocês é me mostrar insegura, vibrante e comprometida em criar um diálogo crítico e potente sobre cultura. que cabe tanto. que cabe tudo. fundamental pra ser de um povo, pra ser quem se é. pra pensar educação. arte. igualdade. olho no olho. vida. a tal verdade. abro essa janela e sinto um frio na barriga. segura.

cultura vem de cultivar. cultivar é cuidar da terra. terra é força. força é chão que também é terra. chão é raiz. então, cultura é raiz. que nos firma e permite crescer pra cabeça voar nos céus. ares.
minha carne

golpeada e definitiva

é verbo

nesse deserto irreal

a luz que atravessa

meu olho

afia delicada a lâmina

onde um coração

se equilibra imóvel

desesperado

com o desejo do corte

a pele em desnível 

é cama 

pro tombo lento

em fogo

feridos


um olho desmorona saídas


de volta ao chão. fiquei presa nessa palavra: cultivar. que nunca gostei da sonoridade. mas que é linda em seu objetivo. tem palavras que podiam só significar, em silêncio. cultivar é uma delas. basta. vivemos assim, ávidos pelo cultivo de pessoas. de liberdade. memórias. de amores. tentando tratar nós mesmos. arar essas carnes de dentro. vivemos nesse cultivo diário. abro essa janela e vejo que tem sol e chuva na medida certa pra cuidarmos aqui de novas histórias. poesia. música. dança. teatro. arte. educação. cultivar novos pensamentos. novos eu, tu. novos a gente. cultivar o pra frente. o feminismo. um novo mundo. cultivar a curva de cada palavra. o delírio. o corpo. formador dessa cultura real.
escancaro essa janela e grito por vocês. vamos?
ainda inverno de 2017.

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Eveline Sin é artista, poeta e grafiteira. Escreve às quartas-feiras.