OPINIÃO

Conheça Bruno Melo, presidente no RN do provável partido de Bolsonaro

A imprensa nacional vem especulando sobre o partido que Jair Bolsonaro vai se filar para disputar as eleições de 2022. Já foram citados o PTB de Roberto Jefferson, o Progressistas (antigo PP) ou até o retorno ao PSL, sua última legenda. Entretanto, os movimentos políticos colocam o Patriota como um possível destino do presidente da República.

Na quinta-feira (24), porém, a família Bolsonaro teve um revés. Uma ala do Patriotas decidiu afastar por 90 dias o presidente da legenda Adilson Barroso, principal aliado do clã. Logo que assumiu a sigla, o vice-presidente, Ovasco Resende, adiantou que o partido está aberto a receber qualquer candidato à presidência da República. Mas a filiação de Bolsonaro é incerta.

No Rio Grande do Norte, o Patriotas é comandado desde fevereiro de 2021 por Hanne Bruno Figueiredo de Melo. Há algumas semanas, o líder partidário deu declarações à Tribuna do Norte sobre a estrutura da agremiação no estado e a expectativa de filiação do presidente Bolsonaro.

O jornal criado por Aluízio Alves falou do Patriota no RN e limitou apenas a descrever o representante da sigla como vice-presidente da União dos Vereadores do Rio Grande do Norte (UVERN) e ex-vereador do município de Severiano Melo, cidade situada a 360 km de Natal e 110 Km de Mossoró. Terminada a reportagem, restou a seguinte indagação: Quem é Bruno Melo?

O presidente da comissão provisória do Patriota no Estado está politicamente vinculado ao ex-deputado federal e atual ministro do Desenvolvimento Regional Rogério Marinho (sem partido). De acordo com colunistas políticos, Bruno Melo foi designado pelo atual ministro do governo Bolsonaro para organizar o partido com vistas às eleições de 2022.

Bruno Melo é vinculado a Rogério Marinho (sem partido)

A trajetória política de Bruno Melo teve início em 2004 quando disputou a eleição e foi eleito vereador de Severiano Melo pelo PPS. Nos pleitos municipais seguintes, nos anos 2008, 2012 e 2016, foi reeleito defendendo as cores do PSDB. Para 2020, o então tucano declarou a aliados que, por estratégia política, não seria candidato à reeleição. Publicamente, nada pronunciou sobre hipotéticos impedimentos legais para a busca do seu quinto mandato.

Contudo, durante os mandatos de vereador, chegou a ocupar o cargo de presidente da Câmara Municipal. Sua passagem como chefe do poder legislativo em 2012 o rendeu uma condenação no Tribunal de Contas do Estado. Segundo a Corte, em processo iniciado em 2013, houve fracionamento irregular de despesa com vistas a burlar a regra de licitação.

O processo foi transitado em julgado somente em 2018. Como consequência, o nome de Bruno Melo passou a integrar a lista de gestores públicos com contas reprovadas. Na prática, o atual líder do possível partido de Jair Bolsonaro se tornou um alvo de pedidos de impugnação de candidaturas, caso fosse novamente candidato à reeleição em 2020.

A partir de 2021, apesar de ser um ex-parlamentar, Bruno Melo permaneceu na direção da uma entidade representativa de vereadores.

A UVERN é mantida através de repasses de Câmaras Municiais filiadas. Portanto, chama a atenção que uma instituição que recebe dinheiro público tenha como dirigente alguém condenado pelo Tribunal de Contas e potencialmente alvo de impugnações da Justiça Eleitoral. A mesma preocupação vale para o cargo de presidente do Patriota, já que o partido irá receber recursos do fundo partidário.

Durante as quatro eleições que disputou, Bruno Melo declarou à Justiça Eleitoral possuir bens apenas em duas oportunidades. Em 2008 afirmou ter um veículo do modelo Gol fabricado em 1999. Já em 2016, informou ao TSE ter o montante de R$ 2.300 depositado em conta corrente.

Ainda sobre questões financeiras, o aliado de Rogério Marinho apresentou um recurso junto ao TCE. Dentre as alegações, solicitou o parcelamento da multa imposta pelo órgão. O vereador alegou que o débito de R$ 500 poderia comprometer sua renda e prejudicar a educação dos seus filhos. Por outro lado, em 2019, Bruno Melo abriu uma loja de veículos com capital social no valor de R$ 200 mil, conforme dados disponíveis pela Receita Federal. Sendo assim, o valor da obrigação financeira representa ínfimos 0,25% da empresa aberta dois anos depois.

Ainda é importante destacar que, com base em dados públicos, o representante do bolsonarismo no RN teve uma evolução patrimonial de quase 8.600% de 2016 para 2019.

 

 

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