OPINIÃO

Cooperativismo: uma empreitada para o desenvolvimento local

O ano era 1999, as notícias que vinham dos jornais não eram boas, e a realidade ainda nos parecia ser bem pior. Éramos servidores públicos federais. E ano após ano percebíamos nosso suado salário minguar, e nosso poder de compra se esvair.

Em 1997 já havíamos criado a Caurn, um modelo cooperativo de assistência à saúde para os servidores e seus parentes diretos. Hoje, esta bela iniciativa conta com 9500 associados, e o reconhecimento dos amigos associados, e de nossos prestadores de serviço (médicos, psicólogos, fisioterapeutas, nutricionistas e demais profissionais de saúde), pelos excelentes serviços, pelo compromisso com cada cooperado e com a valorização dos profissionais envolvidos.

Mas algo ainda nos faltava…

Os bancos consumiam nossas reservas, nossos salários, em juros a perder de vista e parcelas sufocantes. As parcelas de planos habitacionais de vinte anos atrás, de planos ainda da década de 80, ainda nos atingiam, e os vencimentos do cartão de crédito eram sempre estourados para garantir o material escolar ou feira do final do mês. E na imprensa, os grandes lucros das instituições financeiras nos deixava atônitos, enquanto em nossas casas, e na de nossos companheiros e companheiras de trabalho, presenciávamos o adoecimento psicológico diante da escassez do que faltava à mesa, para o lazer, para a saúde e para a educação de nossas famílias. E o pior, a falta de perspectiva para dias melhores…

Em 1999 iniciamos o desenho do que seria a Credsuper, Cooperativa de Economia e Crédito Mútuo dos Servidores da UFRN, a ser fundada com 57 cooperados, e 35 mil reais de capital, um pouco de cada um, os poucos que apostaram nesta iniciativa, e por estes, nossa responsabilidade se agigantava. Não poderíamos fracassar. Foram anos de estudo, visitas a cooperativas de crédito já sólidas e outras que descobríamos em fase de iniciação para estudarmos os desafios da empreitada.

Hoje, a Credsuper está vinculada ao Sistema de Cooperativas Sicredi, podendo ser chamada Sicredi/Credsuper, e conta com 6488 associados, em torno de 24 milhões em capital e 7 milhões e 200 mil em reservas, e ainda uma carteira de crédito 135 milhões. Uma vitória grandiosa, e com muito mais a ofertar a sociedade da grande Natal. Crescemos a 2 dígitos ao ano, enquanto a economia brasileira patina. Nossos cooperados recebem operações positivas não só em melhores condições e taxas, mas na própria distribuição de nossos resultados a cada ano. Aqui, a pessoa física ou jurídica é nosso associado. Faz parte de nossas decisões. Aqui, quem coopera, cresce. Os anos são outros. Acredite, porque, juntos somos mais fortes.

Manoel Santa Rosa é Diretor Presidente da Sicredi/Credsuper

 

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