OPINIÃO

Corrupção, nossa doença

Quem nunca furou uma fila no banco ou em qualquer outro lugar ? Ou então achou algo sabendo de quem era, mas não devolveu ? Recebeu um troco errado e não avisou ? Pois bem, essas são algumas situações que fazem parte do nosso dia-a-dia, por onde muitas vezes se escuta que “o mundo é do mais esperto”. Coisas que já fazem parte da cultura brasileira.

No Brasil, a corrupção é praticada desde o início. Somos frutos da corrupção, fomos corrompidos e hoje somos corruptores da nossa própria história. Possuímos, na atualidade, todo um sistema corrompido que passa pela educação, saúde, justiça e, claro, pelo nosso poder legislativo, base central dos investimentos sociais e que interfere diretamente na nossa cultura. Uma cultura que se reflete altamente desorganizada, prejudicando milhares de brasileiros que dependem diretamente de um sistema de serviços públicos.

Na prática, é a corrupção que produz crianças sem aulas por desvio de merenda ou então por falta de professores, salários atrasados, hospitais públicos superlotados onde tudo fica à flor da pele, funcionários sem estrutura de trabalho desestimulados e cansados de lutar contra o tempo, milhares de famílias em moradias precárias ou então sem moradia alguma, sem condições de ter o básico para sobreviver e mesmo assim sobrevivendo. Crianças em meio a uma guerra muito violenta portando armas e drogas, menos educação.

Corrompidos à viver desta forma, aqui se vende pessoas e cadáveres, vendemos estatísticas para alimentar a imprensa. Enquanto isso, do outro lado da sociedade, as pessoas que governam os investimentos sociais se favorecem da corrupção e, em meio a todo este caos, financiam suas vidas políticas ostentado luxo e poder, sustentando seu grupo político que passa de geração à geração praticando e sustentando oligarquias políticas, mantendo assim o poder nas mãos de uma minoria familiar.

Já o resto, a maioria da população, fica com as mazelas desta corrupção. Estamos muito doentes, fracos para reverter este quadro. O que nos resta como remédio é nossa própria força e inteligência para não ser comprado nas próximas eleições. Não vamos bancar a vida de parasitas que patrocinam a nossa desgraça. Vamos entender esta doença que corrompe a nossa mente e que tem nome: corrupção.

 

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Miguel Carcará
Miguel Carcará é grafiteiro, educador e rapper. Escreve aos sábados.

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