DEMOCRACIA

Cortes na Ciência não preocupam ministro: “há outras fontes de recurso”

Os cortes na área de ciência e tecnologia não preocupam o titular da pasta no governo Bolsonaro. Em visita a Natal nesta sexta-feira (9), quando questionado sobre a continuidade das pesquisas no país ante a redução no orçamento, o ministro Marcos Pontes disse que os projetos não dependiam apenas de recursos públicos:

“É importante você ter projetos prontos pra iniciar. No momento em que entram os recursos, que são desbloqueados, a gente começa a soltar esses projetos. Além disso, há outras fontes de recursos”, disse.

Somente em 2019, o corte nos investimentos na área de Ciência e Tecnologia já comprometeram 42% do orçamento da pasta, o que provocou reações em todo o país de entidades e pesquisadores da comunidade acadêmica.

Marcos Pontes informou aos jornalistas que chegou a conversar com Jair Bolsonaro sobre a necessidade do Governo investir mais na área de ciência e tecnologia, o presidente teria se mostrado solícito ao pleito, mas não disse se houve uma ação concreta.

O ministro, primeiro astronauta brasileiro a ir ao espaço, cumpriu agenda no Laboratório em Inovação e Saúde (LAIS), da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. A finalidade do encontro foi apresentar à pasta os projetos desenvolvidos pelo LAIS a fim de firmar parcerias com o Ministério e potencializar as atividades voltadas à saúde.

O ministro conheceu as instalações em que as pesquisas são feitas e ouviu sobre os projetos que são executados por pesquisadores e professores. “O que eu vejo aqui dentro são muitas conexões com os planos do Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, que a gente vai potencializar e muito os resultados”, garantiu.

Durante a visita, Pontes citou o primeiro Centro de Tecnologia Aplicada, em Campina Grande, que desenvolve tecnologias para o uso da água, como máquinas de reuso, salinização e irrigação. Segundo o ministro, a ideia é criar outros centros de tecnologia no Brasil, incluindo um voltado para área da saúde, financiados com recursos da iniciativa privada.

“Aqui se encaixa e muito bem com o centro de tecnologia para a saúde. É o que eles fazem e a gente pode potencializar com a governança que estamos montando pra esses centros.”

Embora, segundo o coordenador do LAIS, Ricardo Valentim, os projetos do laboratório não tenham sofrido com os cortes orçamentários em razão da demanda social, os recursos destinados à ciência preocupam o cenário brasileiro como um todo.

Para Valentim, a visita do ministro é o reconhecimento do importante trabalho que vem sendo desenvolvido pelo laboratório em termos nacionais:

“Pautamos algumas ações estratégicas como a certificação do laboratório, como o centro de referência dentro desse projeto do MS para a área de inovação e saúde, a criação de um instituto internacional de ciências humanitárias articulado com outras áreas estratégicas do governo e depois disso vamos desdobrar em algumas ações que terão repercussão dentro do Ministério de Ciência e Tecnologia para desenvolvimento do RN e do nosso país”, disse.

Ministro da Ciência e Tecnologia Marcos Pontes conversou com pesquisadores do LAÍS sobre projetos em curso (foto: Júlia Carvalho)

Criado em 2011, o laboratório funciona dentro do Hospital Onofre Lopes, e mantém ativo os cinco projetos financiados. Entre eles, iniciativas de auxílio à pessoas com esclerose múltipla, tecnologias que envolvem questões do ecossistema e o “Sífilis Não”, de combate à sífilis.

Uma das atividades de reconhecimento nacional nascida no LAIS é o Sistema de Monitoramento e Avaliação da Telessaúde no Rio Grande do Norte, o SMART. A pesquisa virou decreto presidencial por desenvolver uma ferramenta que permite ao Ministério da Saúde acompanhar, monitorar e avaliar os resultados das ações do telessaúde, programa instituído pelo ministério em 2007.

“O Ministério da Saúde não tinha como monitorar e fazer o acompanhamento do telessaúde no Brasil todo, então minha pesquisa permitiu que fosse criado um sistema em que todas as fontes do telessaúde estivessem disponíveis pro ministério acompanhar. A partir do momento em que ele está acompanhando mais de perto todas as ações do Brasil, está fazendo política para melhorar a questão da telassaúde”, explica.

Com o diagnóstico, foi possível identificar a efetividade do programa nos estados que recebiam o financiamento do telediagnóstico (Minas Gerais, Santa Catarina e Goiás) e expandir esses serviços para todo o Brasil. “A gente triplicou a quantidade de núcleos de telessaúde no Brasil”, disse Jailton.

À Agência Saiba Mais, o reitor Daniel Diniz, da UFRN, se disse preocupado com a situação da liberação orçamentária diante do bloqueio de quase R$ 60 milhões feitos pelo Ministério da Educação. “Universidades do Brasil inteiro estão passando por dificuldade nesse sentido e nós estamos trabalhando de forma articulada para que o Ministério da Educação volte a fazer a liberação dos recursos como nós planejamos pra execução desse ano”, disse.

Apesar disso, Diniz não comentou sobre o assunto com Pontes. “Ainda não tivemos oportunidade de conversar porque essa é nossa primeira visita, mas certamente nós buscaremos todo o apoio do Ministério da Ciência e Tecnologia também pra continuação dos nossos projetos na UFRN”, disse.

A visita do ministro foi acompanhado pelo reitor da UFRN, Daniel Diniz, da ex-reitora Ângela Maria de Paiva Cruz, do coordenador do laboratório, Ricardo Valentim, do Diretor do Hospital Onofre Lopes, Dr. Stênio Gomes Silveira e a comitiva do Ministro.

Ministro Marcos Pontes acenou com possibilidade de parcerias com LAIS (foto: Júlia Carvalho)
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