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Cortes na Educação congelaram 167 bolsas de mestrado e doutorado na UFRN

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Os cortes no orçamento da Educação que levaram a CAPES a suspender todas as bolsas de pesquisa no país em 2019 congelaram 167 financiamentos na UFRN. Por enquanto, as pesquisas continuam sendo realizadas pelos estudantes, mas caso haja desistência ou o aluno defenda sua tese ou dissertação, a bolsa não poderá ser repassada para outra pessoa, como geralmente acontece. Isso ocorre porque a bolsa pertence ao programa de pesquisa, e não ao estudante.

Os cortes da CAPES atingiram 5.613 bolsas de mestrado, doutorado e pós-doutorado em todo o Brasil.

O pro-reitor de pós-graduação da UFRN Rubens Maribondo explicou que, pelo calendário da universidade, até o final do ano 25 bolsas serão suspensas em razão da conclusão do curso pelos estudantes. Ele avalia que, ao menos até agora, a situação está sob controle. Porém, caso o governo Bolsonaro mantenha a política de congelamento das bolsas, o problema se agrava:

“Se isso prevalecer no ano que vem o desastre será muito grande”, diz.

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A partir de 2020, estarão sob risco quase 300 bolsas de mestrado e 25% dos financiamentos de doutorado pela CAPEs

A UFRN trabalha com uma previsão de rotatividade das bolsas nos meses de fevereiro, março, junho e julho:

“A CAPES envia as bolsas para os programas e são repassadas aos alunos em função dos méritos acadêmicos deles. Quando um aluno desiste, é reprovado ou defende sua dissertação, a bolsa é cancelada e outro aluno passa a recebê-la. Então, todos os programas têm uma fila. Quando esse congelamento acontece, eu não tenho como repassar a bolsa para ninguém. Não posso mudra o CPF”, explica.

Das 167 bolsas congeladas atualmente na UFRN estão incluídos mestrado e doutorado.

“O impacto hoje não é tão grande porque as pesquisas estão acontecendo. Mas é muito pequena a possibilidade algum aluno novo conseguir uma bolsa esse ano”, afirma.

Questionado como tem visto a política de cortes do MEC, o pro-reitor acredita que o problema é apenas orçamentário, e não politico:

– É um ato em função de orçamento, não acho que exista política de cortar. O que existe é uma não priorização do sistema de pós-graduação. Há um relatório da Clarivate divulgado recentemente que fez um ranking sobre a produção de ciência no Brasil a partir dos índices de citação. A UFRN foi a única universidade do Nordeste a ficar entre as 9 primeiras. Quando tiro esses alunos da dedicação integral do seu mestrado e o doutorado, a qualidade cai consideravelmente”, afirmou.

 

 

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Rafael Duarte
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"

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