OPINIÃO

Covid-19 em Natal: faltam doses de solidariedade e união

O secretário de Estado de Saúde Pública Cipriano Maia voltou a cobrar responsabilidade do prefeito de Natal Álvaro Dias (PSDB) ao pedir o fim das disputas políticas que vêm se sobrepondo às ações em defesa da população em meio à pandemia.

O sistema de saúde de Natal entrou em colapso com a lotação de todos os hospitais – públicos e privados – e pacientes na fila de espera. Há duas semanas, o Governo do Estado passou a transferir pacientes para outras regiões, o que também aumentou a pressão sobre UTIs no interior do Rio Grande do Norte.

Semana passada, a agência Saiba Mais noticiou o drama de um jornalista que só conseguiu vaga numa UTI para o pai em uma unidade administrada pelas Forças Armadas em Recife (PE). E só conseguiu porque o paciente era militar.

Natal concentra hoje 38,9% do óbitos por covid-19 ao mesmo em que abriga 26% da população do Estado. Tem algo muito errado nessa relação. A principal política defendida pelo prefeito da capital para conter a pandemia – a medicação em massa de um remédio para piolho que não tem comprovação de eficácia contra a covid-19 – é um fracasso. E só se sustenta ainda com o apoio da imprensa amiga.

Os decretos estaduais são desrespeitados e solenemente ignorados pela prefeitura. E Natal, por mais bonita que seja, não é uma ilha. Pelo contrário, é a capital o para-raio da região Metropolitana.

Em entrevista a InterTV Cabugi nesta quinta-feira (4), Cipriano evocou duas palavras que Álvaro Dias riscou do seu dicionário pessoal: solidariedade e união.

E citou como exemplo a relação de parceria na Bahia, onde o governo é administrado pelo PT e Salvador é conduzida pelo DEM, partidos antagônicos cujos gestores deixaram as divergências de lado em defesa do bem comum: a vida das pessoas.

O governador do Ceará Camilo Santana (PT) anunciou um lockdown de 15 dias, iniciativa também tomada em conjunto com a prefeitura de Fortaleza, administrada por José Sarto (PDT).

A boa notícia é que Álvaro Dias parece não ter contaminado ainda todos os auxiliares. Como bem lembrou a jornalista Emily Virgílio, o secretário municipal de Saúde George Antunes elogiou o trabalho e o esforço do governo estadual na abertura de leitos de UTI num momento que a fila por atendimento volta a provocar pânico em centenas de famílias que dependem dos serviços público e privado de saúde.

Por outro lado, o prefeito se mostra cada vez mais próximo de Jair Bolsonaro, alimentando conflitos com o objetivo cada vez mais claro de transformar a luta por milhares de vidas numa guerra eleitoral.

Só os elogios de George Antunes não bastam. Álvaro Dias precisa sentar à mesa com o governo e todos os demais prefeitos do Estado. Até para sinalizar que está pensando no bem estar da população que o elegeu em 1º turno para administrar a capital, e não no Estado que deseja governar a partir de 2022.

 

 

 

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Rafael Duarte
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"

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