TRANSPARÊNCIA

Covid-19: Explicações divergem sobre consequências do atraso na 2ª dose da Coronavac

Pela quarta vez, a capital potiguar interrompeu a aplicação da segunda dose da vacina CoronaVac devido à falta do imunizante. Além de Natal, o atraso na entrega dos lotes compromete o calendário de vacinação nos municípios de Parnamirim, Mossoró e Açu. Com isso, profissionais da saúde e idosos temem pelas consequências do atraso na eficácia da imunização contra a Covid-19. Especialistas e gestores ouvidos pela Agência Saiba Mais divergem sobre aplicação atrasada da 2ª dose da CoronaVac.

Conforme a imunologista Marise Reis, a aplicação fora do prazo não deve anular o efeito da 1ª dose. “Temos um prazo de mais 3 a 4 semanas da data inicialmente agendada para a 2ª dose”, assegura.

Por sua vez, o secretário municipal de Saúde em Natal, George Antunes, garante que o atraso no reforço não causará prejuízo a quem tomou a primeira dose.

Mesmo que a gente diga que estamos diante de uma situação nova e inusitada, o que se sabe em relação a todas as vacinas é que nós não teremos um prejuízo. A segunda dose é uma dose de reforço que vai lembrar para nosso sistema imunológico da necessidade de produzir mais anticorpos. Esse prejuízo que as pessoas estão tendo em relação à primeira dose nós podemos dizer com segurança que não haverá”, afirma o secretário George Antunes.

Já o epidemiologista Ion de Andrade vê efeitos de um eventual atraso como incertos. Segundo ele, normalmente as vacinas podem ser dadas num prazo mais atrasado e, dessa forma, em princípio, pela similaridade com outras vacinas, não deveria haver maiores problemas com o atraso no prazo máximo de 28 dias para segunda dose da CoronaVac. “O problema é que se trata de uma doença letal e a gente não tem certeza absoluta de que esse atraso pode ou não ser prejudicial”, avalia, antes de prosseguir:

Não há experiência de uso desses medicamentos que digam o que vai acontecer depois desses 28 dias porque as pesquisas que autorizaram o uso da CoronaVac não foram nesse período de tempo superior aos 28 dias”, disse Ion Andrade.

No último dia 27 de abril, o Ministério da Saúde divulgou nota técnica orientando a população a tomar a segunda dose da vacina contra a Covid-19 mesmo que a aplicação ocorra depois do prazo recomendado pelos laboratórios, considerando ser “improvável que intervalos aumentados entre as doses das vacinas ocasionem a redução na eficácia do esquema vacinal“.

Para Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap), “informações sobre eventuais consequências são aguardadas por parte dos responsáveis pela fabricação da vacina”.

O Instituto Butantan, que produz a CoronaVac em parceria com o laboratório chinês Sinovac, recomenda que o intervalo entre a primeira e a segunda aplicação da CoronaVac seja de 14 a 28 dias.

Sobre a falta da segunda dose, o Instituto ressalta que a responsabilidade pela distribuição e orientação para o uso das vacinas é do Ministério da Saúde – orientação que a pasta mudou quatro vezes em pouco mais de um mês. Ainda segundo o Instituto, problemas diplomáticos podem ter afetado a chegada do IFA (ingrediente farmacêutico ativo) ao Brasil.

Todos os esforços para a importação dos insumos estão sendo feitos integralmente pelo Butantan e pelo Governo do Estado de São Paulo. E ressaltamos que questões referentes à relação diplomática entre Brasil e China podem, sim, afetar diretamente o cronograma de envio de IFA”, disse o Butantan em nota.

Situação no RN

No Rio Grande do Norte, segundo dados da Sesap, quase 60 mil pessoas estão próximas ou fora do prazo máximo de 28 dias para segunda dose da CoronaVac.  A orientação do Governo do Estado é que todos os lotes que sejam recebidos da CoronaVac sejam destinos à segunda dose e que os municípios sigam o cronograma conforme o tempo de atraso na imunização.

Segundo o secretário municipal de Saúde de Natal, George Antunes, mais de 25% dos municípios em todo o país apresentam hoje falta dessa vacina, formando um movimento muito forte nos Estados e municípios em busca do imunizante. Contudo, não existe ainda previsão de receber vacinas para segunda dose. Somente em Natal, são 30 mil pessoas que estão com a vacinação fora do prazo.

A produção não está sendo suficiente para atender a demanda, e a programação que o Ministério da Saúde fez não está sendo correspondida”, explica George Antunes.

 

 

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