OPINIÃO

Covid-19 no RN: História que se repete como tragédia e como farsa

Trata-se de um deja vu, como dizem, algo que já vi e sei como funciona e como vai acabar. O Governo do Estado, respaldado pela posição do Comitê Científico, emite um decreto (desta feita o decreto estadual 30.379, de 20 de fevereiro de 2021) que entre outras disposições, recomenda aos municípios potiguares que limitem às 22h o horário diário de atendimento ao público nos bares e restaurantes em todo o Estado, na tentativa de frear a contaminação por Covid-19, já que os leitos de UTIs dos hospitais públicos e particulares estão chegando ou já chegaram a 100% de ocupação na chamada  ́”segunda onda” da pandemia.

Aí quase como ato contínuo, a Fecomércio RN vem a público através de nota “lamentar e externar discordância com o decreto”, como diz o comunicado. “Voltar a limitar o seu funcionamento será potencialmente fatal a centenas de empreendimentos e dezenas de milhares de trabalhadores e suas famílias.”. Não deixa de ser verdade, mas, é impressionante como as entidades de comerciantes e empreendedores não pressionam o Governo Federal e tampouco se desgastam com as prefeituras. Pelo contrário. No final da nota, segue “Nossas esperanças e expectativas são de que as Prefeituras das cidades potiguares não se somem a esta decisão, preservando o direito da luta pela sobrevivência dessas empresas”.

Já vimos esse filme. Aí os prefeitos, com medo de desgastar relações com os empreendedores e se desgastar com a população, não cumprem o decreto estadual e flexibilizam o funcionamento do comércio, bares e restaurantes que, segundo a nota da Fecomércio, “cumpre rigorosamente as regras de biossegurança e de distanciamento social”. Não duvido da boa intenção e ainda que seja uma mentira sincera, como cantaria Cazuza, nem Fecomércio, nem PM nem ninguém conseguiria fiscalizar cada bar, cada festa de madrugada pelos 167 municípios que compõem o Rio Grande do Norte.

Portanto, com a flexibilização, é inevitável que o número de casos e óbitos de Covid cresça e que aumente a procura de leitor de UTI, ameaçando colapsar o sistema de Saúde. Aí a população começa a criticar o Governo do Estado pela situação e prefeitos e empreendedores (que lutaram pela flexibilização que gerou o aumento de casos) se calam e esperam ver o que vai acontecer.

Parece um círculo vicioso. O impressionante é a passividade do Governo em aceitar este “jogo”, mas também a letargia hipócrita da população em não entender a causa-efeito da situação e em não entender os papeis de cada um neste cenário. Tanto que Álvaro Dias, prefeito de Natal, é tido como um bom gestor da pandemia por defender um medicamento profilático, a Ivermectina, sem qualquer comprovação e que não fez diminuir qualquer índice na capital, tanto que os números de infectados em Natal são proporcionalmente maiores do que de outras cidades potiguares e outras capitais brasileiras.

É uma guerra pela narrativa, sabemos. Também um jogo político. Uma história com tons idênticos de tragédia (pelas mortes que seriam evitáveis mas também de farsa (pela complacência dos espectadores e pelo cinismo dos envolvidos). E no meio disso tudo, como coisa menos importante, a saúde da população. Neste deja vu, sabemos o que vai acontecer. Salve-se quem puder.

 

Clique para ajudar a Agência Saiba Mais Clique para ajudar a Agência Saiba Mais
Artigo anteriorPróximo artigo

1 Comment

  1. Atitudes irresponsáveis e GENOCIDAS, inclui-se aí a associação médica do RN, que sabe-se lá por que ou quais motivos, continua defendendo a ivermectina, talvez tenham sido na infância infestados por lombrigas e piolhos, contrariando pesquisadores e o próprio fabricante que já se posicionou publicamente qto a não eficácia deste mata parasitas, na esfera governamental o GENOCIDA MOR ou, capitão cloroquina, que deveria ser preso e responsabilizado por esta m… continua ileso, é amigo Cefas salve-se quem tiver sorte.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *