ENTREVISTA

Covid-19: sair de casa significa entrar em um jogo de sorte e azar, alerta cientista sobre momento da pandemia no RN

“Cabe à sociedade entender que essa aparente tranquilidade é quase que um sistema de sorte ou azar que você trava todo dia quando sai de casa”. O alerta foi do pesquisador do Departamento de Física da UFRN José Dias do Nascimento Jr durante entrevista ao Programa Balbúrdia desta sexta-feira (19).

O astrofísico criou o Mosaic (Modelo EpideMic InfectiOus DiSease of lArge populatIon Code) junto com o astrônomo da Universidade do Estado do Novo México, nos EUA, Wladimir Lyra. O modelo físico-matemático tem ajudado a prever o comportamento da pandemia.

De acordo com Joé Dias, o momento é de preocupação e incertezas, já que a vacinação ainda não cobriu a população inteira e o aparecimento das variantes é um grande fator de risco.

“Você tem dois efeitos com velocidades diferentes [vacinação e surgimento de cepas]. Não se sabe ao certo em que momento nós estamos. Há uns meses atrás, os cientistas falavam muito em um patamar para alcançar a imunidade coletiva. No entanto, isso só é verdade se a velocidade tivesse sido maior”, destacou o professor, que chama atenção também para a reabertura precoce das atividades.

“Nas últimas semanas tivemos agravamentos dos números, com uma subida sensível e consistente. Tenho visto muito poucos alertas sobre esse momento. Está se falando em Carnaval, Carnatal, festas e abertura, mas ninguém tem falado sobre isso”, constatou.

Dias foi do comitê de cientistas que assessorou a governadora Fátima Bezerra no combate à covid-19 e ainda participa do comitê do Nordeste, mas acredita que as decisões são tomadas de forma política e menos científica.

“As medidas sempre foram adotadas de forma política, com raras exceções os gestores disseram ‘independente da minha reeleição, eu vou seguir a ciência’. Alguns até tentaram falar, mas foram ali vacilando na medida em que as pressões foram chegando. Hoje as decisões têm sido tomadas totalmente em torno do consenso entre os organismos que pressionam. Isso não é recente”, disse, ao explicar que isso aconteceu com estados e municípios em todo o país.

“Está se levando a pandemia por uma conveniência econômica e política e isso tem um preço obviamente a pagar”, destacou.

Confira entrevista completa:

Clique para ajudar a Agência Saiba Mais Clique para ajudar a Agência Saiba Mais
Artigo anteriorPróximo artigo
Isabela Santos
Isabela Santos é jornalista e repórter da agência Saiba Mais