OPINIÃO

CPI contra o governo Fátima Bezerra: o chafurdo oportunista

O que significa, efetivamente, a abertura de uma CPI para investigar a governadora Fátima Bezerra, com relação à sua conduta na gestão do combate à COVID-19? Bem, olhando os deputados estaduais que assinaram esse patético pedido, não tem muito o que explicar, já que suas posturas são autoexplicativas.

O norte riograndense deu 1.022.910 votos a Fátima Bezerra (57,6% dos votos válidos), uma histórica defensora dos direitos dos trabalhadores, mas quando se olha o voto para o Senado, para a Câmara de Deputados e para a Assembleia Legislativa, dá a impressão que o eleitor é despirocado, pois elegeu políticos reacionários, desqualificados e oportunistas, ou seja, entender o voto do potiguar exige toda uma compreensão sobre o processo histórico que formou e constituiu nosso estado, o que não é objeto desse pequeno artigo, ou então pode-se, de forma apressada e equivocada, afirmar que temos um exército de analfabetos políticos.

No caso da Assembleia Legislativa é bom lembrar que 15 dos 24 deputados, portanto 62,5% foram REELEITOS Ezequiel Ferreira (PSDB), Gustavo Carvalho (PSDB), Tomba Farias (PSDB), Vivaldo Costa (PSD), Galeno Torquato (PSD), Albert Dickson (PROS), Raimundo Fernandes (PSDB), George Soares (PR-PL), José Dias (PSDB), Nelter Queiroz (MDB), Hermano Morais (MDB-PSB), Getúlio Rêgo (DEM), Souza Neto (PHS-PSB), Kelps Lima (Solidariedade) e Cristiane Dantas (PPL-SOLIDARIEDADE), outros 9 foram eleitos pela primeira vez : Bernardo Amorim (Avante-MDB), Isolda Dantas (PT), Kleber Rodrigues (Avante-PL), “coronel” Azevedo (PSL-PSC), Francisco Medeiros (PT), Eudiane Macedo (PTC-REPUBLICANOS), Allyson Bezerra (Solidariedade), Ubaldo Fernandes (PTC-PL) e Sandro Pimentel (PSOL).

Vê-se, de pronto, que apenas 3 dos 24 eleitos o foram por partidos progressistas (12,5%), o que já anunciava a dificuldade de governar que Fátima teria, o que se confirmou depois, dada a dificuldade em articular uma “bancada do governo”, e talvez por isso esse grupo tenha articulado esse chafurdo eleitoreiro.

Três anos depois, nada menos que 8 deputados trocaram de partidos, sendo que parece que a coceira do “troca-troca” afetou mais os novatos, visto que 5 dos 9 novatos trocaram de partidos. E com o expurgo eleitoral do TRE-RN, Sandro Pimentel (PSOL) perdeu a cadeira, entrando no seu lugar Jacó Jacome (PSD), filho de Antônio Jácome; e Allyson Bezerra que foi eleito prefeito de Mossoró, deu lugar ao desconhecido Subtenente Eliabe (SOLIDARIEDADE), presidente da Associação de Cabos e Soldados, que tomou posse dizendo ser oposição e, destaque-se que estranhamente, estavam presentes na sua posse o coronel Alarico, comandante da PM, e do secretário de Segurança, coronel Francisco Araújo.

Nessa banzé político, que o cidadão tem enormes dificuldades em entender, há ambiente para tudo e, depois da pandemia, uma parte desses deputados resolveu apostar no rebuliço, dispostos a caningar a governadora, uns para satisfazer Rogério Marinho, outros para se mostraram fiéis ao mandrião, outros pelo tradicional ódio à esquerda e os oportunistas de sempre. Daí a origem dessa pilhéria política, respaldado no sagrado direito da minoria em fiscalizar os governantes, algo salutar e necessário, se não fosse pura patifaria.

É óbvio que essa CPI virará poeira, mas servirá para esses deputados estruturarem seus palanques para 2022 e para manter a governadora acossada, pois a maior parte da mídia potiguar a fustiga dia e noite, com Fake News e tudo mais que se possa imaginar.

Resta observar se a tal “base do governo” terá competência para empurrar essa chusma para a sua insignificância e se as forças progressistas terão competência política para denunciá-los à sociedade e colocá-los no seu devido lugar: o esgoto da história.

 

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