OPINIÃO

CPI no Senado + povo nas ruas: o resultado é #ForaBolsonaro

O curso da pandemia no Brasil em 2021 assusta a todos. Ainda em abril, já havia morrido mais pessoas pela Covid-19 no país do que em todo o ano de 2020. Um contexto angustiante, porque enquanto víamos o Brasil se afundar em uma mortandade absurda, no resto do mundo a vacinação já havia começado.

O avanço das pesquisas científicas permitiu que, em tempo recorde, fossem desenvolvidas vacinas capazes de conter a transmissão do novo coronavírus, ou, pelo menos, prevenir o agravamento e mortes. Aqui no Brasil o Instituto Butantan, referência na produção de imunizantes, em parceria com o laboratório chinês Sinovac, produziu a primeira vacina a ficar disponível no país: a Coronavac.

Porém, toda e qualquer política de interesse público, durante a pandemia no Brasil, parecia desagradar o governo federal. No discurso e na prática, desde o começo, o Presidente Jair Bolsonaro tem travado uma batalha contra o isolamento social, questiona o uso de máscaras, se mostra insensível ao crescente número de mortos pela Covid-19 no Brasil e, pior do que a indiferença, chega a debochar de um dos piores sintomas da doença: a falta de ar.

A paralisia das instituições democráticas brasileiras tem ficado muito evidente. Bolsonaro cometeu crimes contra a saúde pública, fez propaganda massiva de remédios sem eficácia contra a Covid, gastou dinheiro público para a produção e distribuição desses medicamentos, foi negligente com a gestão dos insumos hospitalares, como no caso de pacientes morrendo por asfixia em Manaus. A falta de cilindros de oxigênio não foi algo inesperado, o governo federal havia sido avisado, mas não agiu para salvar vidas.

Com efeito, está em andamento no Senado Federal uma CPI para investigar as ações e omissões do governo federal na gestão da pandemia no Brasil. Havia quem dissesse que a CPI não daria em nada, mas na última sexta-feira ela ajudou a desmoronar uma última mentira que a base de apoio bolsonarista gosta de contar: a de que Bolsonaro não tem envolvimento com corrupção.

Pois bem, através do trabalho investigativo da CPI e com base na denúncia de um servidor público de carreira no Ministério da Saúde, chegou ao conhecimento público as pressões que estava sofrendo para liberar recursos por fora do contrato de compra da vacina indiana Covaxin. São recursos da ordem de US$ 45.000.000,00 (quarenta e cinco milhões de dólares), que seriam entregues a uma empresa intermediária, a qual agora se sabe que se trata de uma empresa de fachada, sediada num casebre em Cingapura.

Isso sem falar que a compra dessa vacina, a mais cara até então, mesmo sem ainda ter concluído a fase 3 de testes, custaria R$ 1,6 bilhões ao todo (por apenas 20 milhões de doses), valores esses que seriam pagos a outra empresa intermediadora: a Precisa, que agora se sabe ser investigada pelo MPF por outros desvios na venda de insumos ao Ministério da Saúde, e que a CPI também revelou ser ligada ao líder do governo na Câmara: o deputado Federal Ricardo Barros, do PP.

Diz o jargão político que CPI só se sabe como começa, mas ninguém sabe como termina, e a CPI da Covid está demonstrando isso. O mesmo vale para manifestações de rua. Sabemos como e porque começou, e vamos novamente às ruas, para que o desfecho seja: um Brasil livre de Bolsonaro e dos seus desmandos. Dia 03 de julho, vamos às ruas. É #ForaBolsonaro!

 

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Aline Juliete
Aline Juliete de Abreu é advogada, Mestra pelo Programa de Pós-Graduação em Estudos Urbanos e Regionais (UFRN), feminista negra e ativista pelos direitos humanos

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