OPINIÃO

Cristiano Ronaldo, Messi e a imprensa

Cristiano Ronaldo, três gols em estreia de Copa do Mundo. Imaginem aí. Se já era endeusado exageradamente, e agora? Um grande finalizador, um espetacular atacante, talvez o mais completo dos dias atuais e da história. E claro, em tempos de “seca” de grandes valores, não podia ser diferente, mas  pessoas exageram sempre nestas horas.
Tratam o feito de uma estreia  como se nada mais fosse acontecer, se tudo já estivesse decidido, já querem dar a chuteira de ouro de melhor do mundial ao português, ignorando solenemente o que ainda de especial tem para oferecer a Copa da Rússia. Coisa de louco essa imprensa, e estamos apenas começando a Copa do Mundo.
Ninguém sequer pondera algumas coisas importantes numa partida de futebol. Poucos enxergam que a Espanha jogou melhor. E que, na maioria das vezes, o astro do Real foi bem bloqueado e anulado.
Convenhamos, marcou dois gols de bola parada e um frangaço do goleiro. Não. Para quase todos, mesmo analistas experientes, só vale o número, o registro dos gols. Mas é isso que é o futebol com seus exageros, e mesmo os absurdos fazem parte.
Por outro lado, Lionel Messi se tornou o grande vilão. Perdeu pênalti e está sendo tratado como responsável direto pelo tropeço da Argentina na sua largada contra a Islândia. Quanta insanidade. Afinal, só não viu quem não quis, foi o ‘Pulga’ o autor de quase todas as melhores jogadas de ataque dos argentinos no empate de 1 a 1 diante da Islândia.
E de novo, aquela conversa mole de que Messi não joga na Seleção a mesma bola que apresenta na Espanha, defendendo o Barcelona. O futebol de Messi é o mesmo brilhante, decisivo e insinuante de sempre, a diferença, claro, os companheiros.
Diferente jogar com uma seleção de alguns melhores do mundo na equipe catalã de um grupo onde ele tem apenas os melhores da Argentina, e muitas vezes alguns não tão bons jogam, enquanto outros melhores são esquecidos. Assim é em toda escolha de escrete nacional.
Não dá para fazer previsão sobre Lionel Messi por apenas uma partida. Muito menos do desempenho da Argentina, basta lembrar da própria durante as Eliminatórias quando esteve com a classificação ameaçada.
Será que esteve mesmo?
Não esperem nada diferente. Argentina sempre será desta maneira. Aos trancos, barrancos, com muita raça, entrega e Messi. Quem quiser que esnobe ou pense que não chega. Claro, nem sempre acontece, mas nunca, nunca vou deixar de levar os Hermanos em consideração.
Num grupo de seis favoritas, a Argentina está. Reduzindo para cinco, permanece, assim como fica entre as quatro mais melhores e até mesmo entre as três. Só excluo nossos rivais maiores (considero Argentina, sempre, nosso adversário mais difícil), agora, num grupo super restrito de finalistas, pois acho que Brasil e Alemanha estão na frente. Teoricamente.
Num certame de tiro curto, a partir das oitavas, a equipe comandada por um gênio como Messi e alguns coadjuvantes que podem ajudar,  pode sim dar liga e se tornar quase imbatível. Lembram de 2014? Só eu sei o que sofri já imaginando um monte de babaca da imprensa nacional louvando os campeões vizinhos e tornando Messi a oitava maravilha do mundo.
Com esses caras, mesmo os “especialistas”, não sei se vocês perceberam, tudo é na base do exagero. Se joga bem, marca gol ou gols, principalmente, não tem defeitos, falhas, é maravilhoso, impecável e tudo mais. Se perde, mesmo se jogar bem, fizer maravilhas em jogadas e tentativas, é nulo, não serve.
Ouvi um comentarista dizer neste sábado que mais dois favoritos decepcionaram, se referindo ao empate da Argentina e a vitória magra, com pênalti, da França sobre a Austrália. O cacife da França diminuiu, os mais jovens sentiram a estreia, mas vamos esperar. No caso da Argentina, não, a esquadra da Prata sempre sofre quando é atacada, mas saber, sempre soube, reagir, e bem.
Neste domingo, Neymar vai ser posto à prova. Afinal, como faz parte deste seletíssimo grupo de três supercraques a sua atuação vai ser medida, assim como Cristiano e Messi, pelos gols e jogadas que fizer. Jogadas? Pode fazer mil, mas se não marcar gols e o Brasil não vencer, a marca será da decepção. E Cristiano Ronaldo vai triunfar na primeira rodada como absoluto, melhor jogador do mundo.
E tudo isso pode ser completamente diferente  na segunda rodada. Como digo sempre: as coisas no futebol mudam com muita rapidez, principalmente a opinião de analistas esportivos, a grande maoiria que nada sabe de bola.
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Edmo Sinedino
Edmo Sinedino é jornalista, ex-jogador de futebol e escreve aos domingos