CULTURA

Curta potiguar “Katu” será exibido no Canal Brasil em Festival de Brasília

Fotos: Rodrigo Sena

“O filme tem uma força pela escolha da narrativa e seus personagens com conflitos urgentes”, explica Rodrigo Sena, diretor e roteirista do curta “A Tradicional Família Brasileira – Katu” (2019). O trabalho documental que tem como protagonistas personagens do povo potiguara, do Rio Grande do Norte, é um dos selecionados para o 53º Festival de Cinema de Brasília.

O festival teve 801 filmes inscritos para a Mostra Oficial de Curtas com seleção de 12 vídeos. O evento será transmitido pela primeira vez nacionalmente, pelo Canal Brasil (Mostra Oficial de Longa-Metragem) e na plataforma de streaming Canais Globo (Mostras Oficial de Curtas e Brasília) entre os dias 15 e 20 dezembro e as premiações somam mais de R$ 400 mil. Dia 21 de dezembro, às 20h, a cerimônia de premiação será transmitida pelo Canal do Youtube do 53º FBCB.

A equipe organizadora do festival considera que os escolhidos indicam a quebra de hegemonia de narrativas masculinas, brancas e de polos centralizadores de poder. Com cinco representantes do Nordeste (BA, RN, MA, CE e PE), dois do Sul (SC, PR) e cinco do Sudeste (RJ, ES, SP e MG), e apresentam diversidade tanto na produção quanto nas temáticas.

Este será o 30º festival de Katu, que já foi contemplado neste mês de dezembro três vezes: com a principal premiação do Festival de Cinema Ambiental de Goias – FICA; com prêmio do GeoFilmeFestival, na Itália; e menção honrosa no Circuito Penedo de Cinema em Alagoas.

De acordo com o diretor, “A Tradicional Família Brasileira – Katu” começou a circular em festivais internacionais, depois, aos poucos, foi recebido nas mostras brasileiras. E assim, criou vida própria.

“Claro que sempre queremos o melhor para o filme, porém ele tem vida independente e nunca sabemos como vai ser a receptividade e a repercussão. Estamos trabalhando com seriedade, tem sempre uma equipe que faz o trabalho pesado do filme, essa e a hora de colhermos o que plantamos”, conta Rodrigo Sena, ao ressaltar que sua ideia de cinema é sempre abordar questões sociais e que “possibilitem outro ponto de vista que não seja do colonizador”.

A comunidade Eleotério do Katu, na divisa dos municípios de Canguaretama e Goianinha, possui a única escola indígena do Rio Grande do Norte e serviu de inspiração para o curta.

Rodrigo Sena fotografou o povoado em 2007 para reportagem publicada no Dia Nacional do Índio pelo jornal Tribuna do Norte. Anos depois, resolveu voltar lá para conferir como estava a vida das crianças que havia encontrado anteriormente.

A realização do filme é da ABOCA Audiovisual, Ori Audiovisual e Studium Produções e foi viabilizado com patrocínio da Prefeitura do Natal, BRDE, FSA e ANCINE, por meio do edital Cine Natal.

A Tradicional Família Brasileira KATU

Sinopse: Em 2007 é produzido um ensaio fotográfico em reconhecimento aos povos originários Potiguaras, retratando doze adolescentes pertencentes ao Eleutério do Katu (RN). Doze anos depois, o fotógrafo volta ao Katu em busca desses protagonistas, hoje já adultos, para saber sobre suas trajetórias pessoais e suas visões de mundo.
Gênero: Documentário
Ano: 2019
Origem: Natal (RN)
Duração: 25 minutos
Classificação: Não recomendado para menores de 12 anos

Ficha Técnica:

Argumento, Direção E Roteiro: Rodrigo Sena
Produção Executiva: Arlindo Bezerra
Direção De Fotografia: Júlio Castro
Som Direto, Mixagem e Desenho De Som: Jota Marciano
Consultoria, Montagem e Finalização: Rodrigo Fernandes
Produção: Ernani Silveira
Assistência de Câmera: Gustavo Guedes
Fotografia Adicional: Rodrigo Sena
Imagens Aéreas: Caio Guerra
Maquinista: Hallison H2l
Trilha Sonora: Toni Gregório E Tiquinha Rodrigues
Designer: Rodrigo Palmares
Elaboração Do Projeto: Diana Coelho
Tradução Inglês: Julian Cola
Tradução Espanhol: Beatriz Brooks Yance
Audiodescrição e Legendagem: Rafael Garcia E Beth Garcia Voz
Audiodescrição: Arlindo Bezerra

FBCB

Vitrine do cinema político no país, o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (FBCB) travou batalhas contra governos autoritários e políticas de desmonte ao audiovisual ao longo das 53 edições.

Em 2020, diante da pandemia, o evento esteve, como a maioria dos eventos culturais, na iminência de ser cancelado. Seria interrompido mais uma vez. De 1972 a 1974, foi censurado pela ditadura militar.

Neste momento tão atípico, a parceria com o Canal Brasil é uma oportunidade para que um número maior de pessoas possa acompanhar a exibição dos filmes, desta vez com alcance nacional. Os 30 filmes selecionados para as mostras Oficiais de Longa e Curta e a Brasília apontam para o cinema contemporâneo brasileiro que se apropriou de suas narrativas para firmar uma identidade. Há filmes de todas as regiões do país.

Em torno da exibição, o FBCB terá, como um dos pontos altos, o encontro com o diretor britânico Ken Loach, sobre “o cinema como ferramenta política”, mediado por Silvio Tendler. Expoente do cinema político contemporâneo, o autor de Eu, Daniel Blake (2016) estará, ao vivo, numa sala virtual, no dia 16 de dezembro, das 11h às 12h, com transmissão para o Canal do YouTube da Secec.

Confira programação completa.

Artigo anteriorPróximo artigo
Isabela Santos
Isabela Santos é jornalista e repórter da agência Saiba Mais

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *