DEMOCRACIA

Debate relembra legado dos militantes comunistas Glênio Sá e Alírio Guerra 30 anos após tragédia

A trajetória e o legado dos militantes comunistas Glênio Sá e Alírio Guerra serão lembrados neste domingo (26), data que marca os 30 anos do acidente de automóvel ainda cercado de mistérios que vitimou os dois dirigentes do PCdoB do Rio Grande do Norte, em 26 de julho de 1990.

O bate-papo em formato de live será transmitido a partir das 17h, no canal do Youtube do PCdoB/RN. O debate será conduzido pelo presidente municipal da sigla Christian Vasconcelos e terá a participação de Jana Sá, filha de Glênio, e Eveline Guerra, viúva de Alírio, além de dirigentes do PCdoB, incluindo os dois únicos sobreviventes do acidente na década de 1990, Valdo Teodósio e Antenor Roberto, atual vice-governador do Rio Grande do Norte.

Glênio, Alírio, Valdo Teodósio e Antenor Roberto iam de Currais Novos a Jaçanã, no interior do Rio Grande do Norte, para uma atividade de campanha que não estava na agenda e foi comunicada a partir de um telefonema que ninguém consegue mais identificar, quando o carro deles colidiu com um opala de placa fria. O motorista fugiu e nunca foi encontrado. A família de Glênio Sá acredita que o acidente foi forjado em razão de vários acontecimentos ocorridos após a tragédia. Entre eles um documento obtido após a abertura dos arquivos da ditadura militar, durante o governo Dilma Rousseff, que comprova que Glênio vinha sendo monitorado pelo menos uma década após a lei da anistia, em 1979.

Natural de Caraúbas (RN), Glênio Sá foi o único potiguar a participar da mítica Guerrilha do Araguaia, principal ação de luta armada contra o regime militar durante os anos 1960/1970.

No livro “Memórias de uma Guerra Suja”, o ex-delegado do DOPS Cláudio Guerra, faz referência a um acidente automobilístico no interior do Nordeste forjado pelos militares. O ex-agente da ditadura disse em depoimento à Comissão da Verdade que não lembra o nome do militante assassinado, mas não há notícias de outro “acidente” envolvendo um comunista morto após colisão entre veículos na mesma época relatada por Guerra.

Filha de Glênio Sá, a jornalista e pesquisadora Jana Sá vai reconstituir a morte do pai num documentário a ser lançado após a pandemia.

Além de Jana, o legado de Glênio permanece na luta e defesa pela memória dele em Fátima Sá, Gilson e Beatriz, que nasceu após a morte do avô. Já a trajetória de Alírio teve sequência nas batalhas de Eveline, João Pedro, Manoela e Júlio Borges.

Homenagens

Vários vídeos relembrando a trajetória de Glênio e Alírio serão exibidos durante a transmissão da live neste domingo com depoimentos de familiares, amigos, dirigentes do PCdoB e correligionários. Entre as personalidades que renderam homenagens aos ex-dirigentes comunistas está o ex-deputado federal e ex-presidente do PT José Genoíno, que participou e lutou, ao lado de Glênio Sá, na Guerrilha do Araguaia.

 

 

 

Artigo anteriorPróximo artigo
Rafael Duarte
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *