CIDADANIA

Defensor dos Direitos Humanos, Marcos Dionísio tem legado eternizado em medalha no RN

Arrisco a dizer que ele pensaria que o retrocesso histórico pelo qual o Brasil atravessa vai exigir que envidemos muito mais esforços para refazer uma cultura em que a civilização vença a barbárie”.

A reflexão acima é de Maristela Pinheiro, companheira e mãe dos dois filhos de Marcos Dionísio, sempre lembrado pelo seu ativismo, por presidir o Conselho Estadual de Direitos Humanos do Rio Grande do Norte e por sua luta incansável por justiça. Dia 21 de outubro, a Assembleia Legislativa do RN aprovou, por unanimidade, a criação da Medalha de Mérito em Direitos Humanos Marcos Dionísio.

Que a medalha de mérito em DH, sirva de estímulo para as que as novas gerações despertem interesse pelos Direitos Humanos. Afinal são direitos universais que compreendem a própria vida”, defende Maristela, que é assistente social e conheceu Marcos Dionísio ainda na época da faculdade.

Ela cursava Serviço Social e ele Direito, ambos faziam parte da diretoria do Centro Acadêmico da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Foi a preocupação pelo coletivo que aproximou os dois. O namoro se tornou um casamento de 32 anos que rendeu dois filhos: Lucas e Artur. Apesar da rotina sobrecarregada com a luta por Direitos Humanos, Maristela, a grande companheira de vida de Dionísio, também conta que o marido era um amante da boa música e era fascinado por literatura e cinema.

Foto: cedida I Maristela e Dionísio

A iniciativa para a criação da Medalha de Mérito em Direitos Humanos Marcos Dionísio foi do deputado estadual Francisco do PT que, durante a homenagem na Assembleia, lembrou a trajetória do inquieto advogado, ativista e grande articulador em busca da solução de conflitos.

Marcos deixou legado e com essa medalha, pretendemos estimular ainda mais pessoas que desenvolvem ações voltadas para a valorização dos direitos humanos. Ações de solidariedade”, explica o parlamentar.

Foto: cedida I Marcos Dionísio e os filhos

A criação da Medalha acontece em um momento simbólico de ataques aos direitos humanos e agressões a ativistas dos mais diversos setores. Negros, indígenas, mulheres, LGBT’s, moradores de rua e ativistas ambientais estão entre as vítimas mais frequentes. Segundo levantamento da Ong Global Witness, que combate abusos contra direitos ambientais e humanos, foram registrados 212 assassinatos em todo o mundo no ano de 2019. Desse total, 24 aconteceram no Brasil.

Trajetória

Marcos Dionísio nasceu em maio de 1961 e faleceu em fevereiro de 2017, depois de lutar contra um câncer agressivo descoberto um ano antes. “Mosquito”, como era conhecido entre os amigos, também foi peça chave na estruturação da Defensoria Pública do Rio Grande do Norte, foi o primeiro Ouvidor Geral da Defesa Civil do Estado, trabalhou no Núcleo de Controle Externo da Atividade Policial do Ministério Público, foi Coordenador do Observatório da Justiça e Cidadania do RN e travou verdadeiras batalhas em defesa das minorias e por direitos de policiais civis e militares.

Ele também atuou no Comitê Popular da Copa para evitar desapropriações para construção de obras da Copa de 2014, o que fez de Natal uma das poucas cidades do país a não sofrer esse tipo de remoção. Boa parte dessa trajetória é lembrada no documentário “A Rua Grita Dionísios”, realizado pelo Centro de Referência em Direitos Humanos Marcos Dionísio, da UFRN.

Em tempos de barbárie, Marcos Dionísio nos lembra o discurso amigo e conciliador de quem sabe que a vida depende do respeito ao próximo como princípio básico para a própria existência. Afinal, o outro pode ser você. Dionísios são necessários nas florestas, aldeias indígenas, terreiros, presídios, quartéis, becos e favelas de um país desigual que joga terra sobre a própria cova.

Foto: cedida I Marcos Dionísio

 

 

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