TRANSPARÊNCIA

Depois de repercussão nacional de aglomerações em Pipa, governadora se reúne com prefeitos da Região Metropolitana

Está marcada para as 15h desta terça (16), uma reunião entre a governadora Fátima Bezerra e os prefeitos dos municípios da região Metropolitana de Natal, além de representantes dos Ministérios Públicos Estadual e Federal. O objetivo é discutir as medidas para evitar aglomerações como as registradas em Pipa, que geraram repercussão no país. Devem participar do encontro, que será realizado no auditório da Governadoria, no Centro Administrativo, os prefeitos de Natal, São Gonçalo do Amarante, Extremoz, Ceará-Mirim, Parnamirim, São José de Mipibu, Macaíba e Nísia Floresta.

Em entrevista à Globo News nesta segunda (15), a governadora Fátima Bezerra relembrou que desde o dia dois de fevereiro o Governo do Estado publicou decreto que proibia toda e qualquer atividade de carnaval que implicasse em aglomerações. Além disso, o decreto também suspendia o ponto facultativo para os dias de carnaval. Fátima Bezerra classificou como “inadmissíveis”, as aglomerações vistas na Praia de Pipa, em Tibau do Sul.

Para evitar que a situação se repetisse, a governadora do Rio Grande do Norte também afirmou ter enviado forças de segurança ao local, além de ter se reunido com prefeito para estabelecer uma regulamentação através de decreto, que acabou por suspender as atividades de bares, lojas e restaurantes a partir das 22 horas. Fátima Bezerra também pediu que as pessoas levassem em conta a realidade atual de 100% de ocupação dos leitos críticos dos principais hospitais da Região Metropolitana de Natal e lembrou que pessoas em aglomerações hoje, serão os pacientes de amanhã, com o risco de não haver leitos suficientes para todos.

Imagem: reprodução

Também na noite desta segunda, a governadora do Rio Grande do Norte voltou a conceder entrevista para emissora de alcance nacional. Na CNN, Fátima Bezerra reforçou que as aglomerações vistas em Pipa são inadmissíveis e pediu que o governo federal renove o decreto de calamidade pública na saúde, para garantir a manutenção dos leitos para pacientes com covid-19.

O decreto de calamidade do governo federal expirou em dezembro, contudo, a pandemia não foi embora, pelo contrário. Nós estamos vivendo um momento bem difícil, vide o que ocorreu no Amazonas. É preciso que o governo federal, fazendo aquilo que manda o SUS e a Constituição, assegure aos estados e municípios o financiamento necessário para mantermos os leitos de UTI em funcionamento para acudir nossa população”, pediu Fátima Bezerra.

E, ao contrário do Governo do Estado, a Prefeitura de Natal, comandada por Álvaro Dias (PSDB), manteve o ponto facultativo durante os dias de carnaval. Ele também anunciou que pretende abrir mais dez leitos de UTI no Hospital de Campanha de Natal para pacientes com covid-19 até a sexta-feira (19). Com isso, a unidade vai passar dos atuais 20 para 30 leitos de UTI. Além disso, seguindo na contramão da comunidade científica, Álvaro Dias voltou a recomendar uso de medicação sem eficácia comprovada como forma de tratamento precoce da covid-19.

O uso da Ivermectina, como medicamento profilático, por exemplo, é apontado pelo prefeito como extremamente necessário e benéfico, por evitar a disseminação da doença e ajudar a reduzir a carga viral e, assim, diminuir frontalmente os efeitos da Covid-19 nas pessoas”, traz um trecho do texto divulgado pela Prefeitura de Natal.

Conflito no réveillon

Ainda no dia dois de dezembro, o Governo do Estado publicou decreto delimitando restrições para a realização de festas, fossem elas no âmbito público ou privado, que resultassem em aglomerações. A medida, no entanto, gerou a revolta em alguns produtores de evento que tinham organizado festas de passagem de ano em praias conhecidas, como Pipa (Tibau do Sul), São Miguel do Gostoso e Sagi (Baia Formosa).

Com isso, ficou definido que a proibição publicada em decreto valeria no âmbito estadual e que cada município ficaria responsável por fazer a regulamentação em sua área. No caso do réveillon em Pipa, cuja festa ‘Let’s Pipa’ previa sete dias seguidos de evento, a confraternização chegou a ser suspensa pelo juiz Witemburgo Gonçalves de Araújo, da comarca de Goianinha, através de liminar. No entanto, o desembargador Amaury Sobrinho, do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte, cassou a liminar e liberou a festa.

O resultado, é que a sequência de processos e liminares da justiça provocou uma limitação de ação pelo governo estadual e flexibilização na realização de eventos nos municípios, cujos resultados começam a ser constatados no aumento significativo de casos de covid-19.

Reunião com Ministro da Saúde

Nesta quarta (17), há uma reunião agendada entre os governadores e o Ministro da Saúde, Eduardo Pazuello. A expectativa da governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra, é de que o encontro não seja adiado, já que há mais de 15 dias o Fórum dos Governadores cobra uma audiência com o ministro. O encontro, no entanto, não consta na agenda oficial de Pazuello.

Entre os pontos a serem discutidos, os governadores querem que o Ministério da Saúde defina um cronograma de vacinação, além da ampliação das entregas de vacinas aos estados. Segundo a governadora Fátima Bezerra, ainda durante entrevista à CNN, o Rio Grande do Norte tem uma população de mais de três milhões de habitantes. Mais de 600 mil pessoas se cadastraram no aplicativo RN Mais Vacina, no entanto, por falta de vacina, apenas 75 mil foram imunizadas. Isso é o equivalente a apenas 2,1% da população.

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