DEMOCRACIA

Deputada agredida cobra punição contra coronel Azevedo e recebe solidariedade de colegas

O deputado estadual coronel Azevedo (PSC) conseguiu piorar o que já era grave. Um dia depois de dizer durante a reunião da comissão de Constituição, Justiça e Redação que a deputada Isolda Dantas (PT) ficava “excitada” quando ele falava, o parlamentar se recusou a pedir desculpas e chamou de “factoide” a acusação, gravada pela TV Assembleia.

– Foi a deputada Isolda Dantas que me agrediu e é ela quem me deve desculpas”, disse o deputado bolsonarista.

A sessão desta quinta-feira (30) foi tomada pela repercussão do caso. Entidades e partidos do campo popular emitiram nota em solidariedade à petista, que cobrou uma punição contra o agressor. Ela protocolou junto à Mesa Diretora um pedido de censura ao parlamentar, penalidade prevista no Regimento Interno da Casa:

 – A todo momento, nós, mulheres, somos constrangidas no exercício das nossas funções, como se fossemos desequilibradas. Isso acontece quando faltam argumentos. Divergências políticas podem existir, mas desrespeito jamais”, disse.

A deputada do PT foi apoiada pelas deputadas Cristiane Dantas (SDD), Sandro Pimentel (PSOL), Francisco do PT e Eudiane Macedo.

Azevedo tentou partidarizar a agressão que cometeu e responsabilizou até a governadora Fátima Bezerra (PT) pela repercussão negativa do caso. Em seu pronunciamento, citou frases ligadas ao pensador Nicolau Maquiavél e passagens da Bíblia.

– O que está por trás disso é o desvio de foco de uma governadora que virou as costas para os servidores do Estado. Queremos a verdade acima de tudo, só a verdade vos libertará. Como disse Maquiavel “dê poder ao homem e o conhecerais”, afirmou o parlamentar que chamou de “vitimismo”, “coitadismo” as reações e críticas que recebeu.

Coube à deputada Eudiane Macêdo a crítica mais pesada da sessão ao coronel que louva Jair Bolsonaro. No momento em que a parlamentar começou a falar, no entanto, Azevedo deixou o plenário, segundo ele, para atender um prefeito do interior do Estado.

O desabafo de Eudiane, no entanto, se externou a toda a Casa legislativa. Ela afirmou que o machismo é generalizado na Assembleia Legislativa e que já presenciou várias atitudes que desabonam os colegas.

– Não preciso aqui ficar fazendo teatro nem bater com a mão fortemente na mesa, diferente de muitos homens que têm que gritar e bater na mesa para mostrar que é macho. Desde que cheguei nesta casa o machismo está impregnado. Não quero generalizar, mas aqui nesta Casa já aconteceram muitas situações de quererem de calar a voz das deputadas mulheres. Comigo já aconteceu várias vezes. Isso não é questão partidária”, criticou.

A deputada lembrou a disparidade na Casa onde dos 24 deputados estaduais, apenas três são mulheres. E destacou que a agressão de Azevedo não atingiu apenas Isolda Dantas, mas todas as mulheres da Assembleia Legislativa.

– Quero ser solidária à deputada Isolda e também as outras mulheres que se sentiram agredidas. O que ele deveria fazer nesse momento era pedir desculpas. Pedir desculpa às mulheres. Aqui nesta Casa já tentaram calar minha voz várias vezes, mas ninguém vai conseguir. Fiquei perplexa com o que ouvi ainda mais depois do coronel Azevedo falar tanta baboseira e não pedir desculpas”, afirmou.

Artigo anteriorPróximo artigo
Rafael Duarte
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *