DEMOCRACIA

Deputada do RN destina recursos para identificação de potiguar morto pela ditadura militar e outros desaparecidos

O mandato da deputada federal Natália Bonavides (PT/RN) destinou emenda parlamentar de R$ 100 mil para o Centro de Antropologia e Arqueologia Forense da Unifesp, visando fortalecer o trabalho de identificação dos restos mortais de vítimas da ditadura militar.

O trabalho feito pelo CAAF se desenvolve mediante parceria com a Secretaria Municipal de Direitos Humanos (SMDH) da Prefeitura de São Paulo e órgãos do governo federal, por meio de um Acordo Técnico de Cooperação (ACT).

O Centro recebeu as ossadas localizadas em vala clandestina do antigo Cemitério de Perus, na zona norte de São Paulo. Lá podem estar os restos mortais do potiguar Luiz Maranhão, do recifense Fernando Santa Cruz e mais uma centena de outros brasileiros e brasileiras que lutaram pela democracia e por isso foram assassinados.

Quase quarenta anos se passaram desde o fim da ditadura no Brasil e a maioria dos crimes cometidos por agentes do Estado seguem impunes, com inúmeras famílias ainda procurando os corpos daqueles que o regime militar matou e escondeu.

Para a deputada é fundamental que esse trabalho seja concluído, pois a verdade, a memória e a justiça devem prevalecer.

“Isso incomoda aqueles que defendem a ditadura, que fazem piada com a dor das famílias dos mortos e desaparecidos e que menosprezam a luta pela memória e pela verdade. Apoiamos e seguiremos apoiando as ações do Centro de Antropologia e Arqueologia Forense da Unifesp e todas as instituições que trabalham para restabelecer a verdade dos crimes da ditadura, principalmente num momento em que temos um governo que acabou com a comissão de mortos e desaparecidos e que comete um genocídio inspirado no que de pior fez a ditadura”, declarou Bonavides em nota.

Luiz Maranhão

Luiz Ignácio Maranhão Filho nasceu em 25 de janeiro de 1921 em Natal, Rio Grande do Norte, filho de Luís Inácio Maranhão e Maria Salmé Carvalho Maranhão, casado com Odete Roselli Garcia.

Advogado, jornalista e professor, foi preso no dia 03 de abril de 1974 numa praça em São Paulo, capital. Pessoas que presenciaram a cena, informam que ele foi algemado e conduzido num transporte de presos pelos agentes do DOI-CODI do II Exército. A ditadura militar jamais reconheceu a prisão do militante político, que foi incluído no rol dos desaparecidos.

A família denunciou que Luiz estava sendo torturado em São Paulo por Sergio Fleury. Em 15 de maio de 1974, o vice-líder da Arena, deputado Garcia Neto prometia “que o governo tomaria providências para elucidar os sequestros de presos políticos, inclusive de Luís Maranhão Filho, mas isso nunca aconteceu.

Em 08 de abril de 1987, o ex-médico e torturador Amilcar Lobo revelou, em entrevista à Revista Isto É, que viu Luís sendo torturado no DOI-CODI do I Exército no Rio de Janeiro. Em 1993 o ex-agente do DOI-CODI, Marival Chaves, em entrevista à Revista Veja, disse que Luiz fora morto pelos órgãos de segurança da ditadura militar. O corpo jamais foi localizado.

Com a Lei Nº 9l40/95, seu nome consta na primeira relação dos mortos e desaparecidos políticos, tendo a União reconhecido a responsabilidade por sua morte.

 

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