TRANSPARÊNCIA

Deputada federal denuncia Rogério Marinho à PGR por escândalo do “tratoraço”

A deputada federal pelo Rio Grande do Norte, Natália Bonavides (PT), solicitou à Procuradoria-Geral da República (PGR) que investigue o envolvimento do ministro do Desenvolvimento Regional, o também potiguar Rogério Marinho, na compra de máquinas e equipamentos superfaturados pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), estatal ligada ao Ministério comandado por Marinho.

Além de estar ligado à estatal investigada, Marinho também foi responsável por elaborar a planilha com os preços acima do mercado, fazendo, inclusive, uma campanha ostensiva para que parlamentares indicassem emendas para essa pasta. Além disso, o próprio Rogério Marinho indicou recursos do orçamento secreto para a compra de 90 tratores, nove motoniveladoras e 12 pás carregadeiras, todos superfaturados. Na avaliação da parlamentar, as informações apuradas pelo Tribunal de Contas da União e pela Controladoria-geral da União, apontam para indícios que ligam o ministro Rogério Marinho ao escândalo do “tratoraço”.

Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

“A relação do ministro com o escândalo do tratoraço precisa ser apurada de forma urgente. O orçamento secreto já é um absurdo, e estamos diante de elementos que indicam não só o uso de recursos públicos para o velho ‘toma lá, dá cá’, mas também para enriquecimento indevido de apoiadores de Bolsonaro, às custas do sofrimento da população “, criticou Natália Bonavides.

O Ministério do Desenvolvimento Regional empenhou R$ 3,3 bilhões pelo orçamento secreto, sendo que R$ 130 milhões foram indicados diretamente pelo próprio Rogério Marinho. De acordo com o TCU, os preços dos equipamentos chegam a estar 63% acima da média praticada pelo mercado.

Cortes em Ciência e Tecnologia beneficiam Marinho

Parte dos R$ 600 milhões de reais cortados pelo Congresso Nacional da pasta do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), irá para o Ministério do Desenvolvimento Regional, que vai receber R$ 150 milhões para ações de proteção em áreas de risco, R$ 100 milhões para as cotas de moradia do Fundo de Arrendamento Residencial e R$ 2,2 milhões para obras de infraestrutura hídrica.

O valor cortado do MCTI representa quase 99% do orçamento da pasta, que passou de R$ 655,4 milhões para R$ 7,2 milhões. A redistribuição do orçamento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação com outras pastas, aprovada pelos parlamentares, foi um pedido do Ministério da Economia, comandado por Paulo Guedes.

Com o corte, o CNPQ (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), responsável por distribuição de bolsas de pesquisa no país, terá o menor orçamento dos últimos 21 anos, passando de R$ 3,14 bilhões em 2013 para R$ 1,21 bilhão em 2021. Além do Ministério do Desenvolvimento Regional, também vão receber dinheiro retirado do MCTI os ministérios da Educação, Saúde, Agricultura, Cidadania e a Comissão Nacional de Energia Nuclear.

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