DEMOCRACIA

Deputado Girão diz não existir racismo no Brasil, critica política de cotas e afirma que tem “família de cor”

O deputado federal Girão Monteiro (PSL) afirmou nesta quinta-feira (10) que não existe racismo no Brasil. A afirmação foi divulgada pelo blogueiro mossoroense Bruno Barreto no programa Foro de Moscow. Um dia antes, o parlamentar bolsonarista foi o único deputado da bancada potiguar a votar contra a adesão do Brasil à Convenção Interamericana contra o Racismo, a Discriminação Racial e Formas Correlatas de Intolerância.

Os países que fazem parte do acordo se comprometem a punir atos de discriminação racial.

Num áudio de quase três minutos para se justificar, Girão argumentou que políticas afirmativas só separam as pessoas e que crimes, como o ocorrido no supermercado Carrefour no Rio Grande do Sul, são crimes comuns e não motivados pela cor da pele negra:

– Infelizmente, estão tentando associar os crimes comuns aqui no Brasil com coisas que acontecem lá fora. A gente não tem racismo no Brasil. Eu não concordo com isso. Nós temos tratamento diferenciado para as pessoas em função, às vezes, de qualificação. Mas, racismo no Brasil, principalmente na região nordeste, eu não reconheço. Eu lamento muito isso aí, entrou numa pauta da esquerda que eu não concordo e eu votei contra sim e votarei contra por não achar que isso deva ser estimulado”, afirmou.

Girão também se posicionou contra a política de cotas e para justificar o fato de não reconhecer o racismo no país, citou as origens da família:

– Respeito muito, você não vai ver nenhuma ação minha contra ninguém de cor até porque eu tenho família de cor, parentes próximos de cor. Minha avó era uma cafuza, mistura de negra, com mulata, com indígena e eu tenho orgulho disso. Tenho pessoas que são bem escuras mesmo na minha família e o tratamento entre nós é muito perfeito e muito próximo e sempre foi. Por isso eu votei e votarei contra qualquer tipo de política que possa gerar um aumento nessa diferença entre as pessoas no Brasil”, disse.

Talvez o general não tenha lido os jornais nos últimos dias e visto que o fotógrafo Mãozinha, com trabalho inclusive no exterior, teve sua imagem capturada por câmeras de segurança ao entrar em lojas e clínicas para pedir informações sobre uma casa de câmbio em Petrópolis, zona leste de Natal, e foi surpreendido ao ver sua imagem em grupos de whatsapp como suspeito de assalto. A foto foi parar, inclusive, em grupos da polícia.

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