OPINIÃO

Desamores

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Vem como uma sensação de perder um pedaço da gente. E nem sempre o momento exato em que isso acontece é quando de fato se perdeu o pedaço, mas talvez, anos depois, quando a gente se dá conta disso.

Porque já ouvi falar que quem perde um pedaço de si às vezes tem a sensação de que ele ainda existe, de alguma forma. E não é porque não lhe faz falta. É que ainda imagina mesmo que está ali, concretamente, e você pode tocar quando quiser, pra confirmar sua existência.

É assim que a gente se sente quando a vida nos impõe a obrigação de, de repente, desamar. Não por vontade própria, mas porque parece ser requisito pra libertar alguns amores, que só conseguem voar ao desamar. Como se não pudéssemos, ao longo dela (a vida), apenas acumular amores e fazer laços eternos de bem querer, sem ciúmes, sem brigas, sem raiva, sem dor, sem esquecimento, sem o desprezo, dor maior pra quem um dia achou ser importante pra alguém. Só mesmo o bem querer.

Não falo de sentimento de posse ou de dependência emocional, enfim, de nada que tire pedaço, de fato. Falo de quando é possível a gente aprender a manter as ligações saudáveis, aquelas que se transformam em outra coisa que não mais o desejo de ter, só de estar ali pra o que for preciso, como uma leve amizade que, não fosse a vida carregar pra longe, sempre se faria presente, ainda que em outras novas vidas.

Uma vez disse que os caminhos que escolhemos implicam, necessariamente, na não escolha de uma porção de outros caminhos que certamente nos deixarão saudades por nunca terem sido…E a nossa sina então seria fazer escolhas e sentir saudades.

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Mas a verdade é que os caminhos que desistimos de seguir nos perseguem por toda a vida, e não para nos assombrar, mas sim pra nos permitir reviver, num piscar de olhos, tudo que foi muito bom e valeu…

Nesses pequenos instantes, provam que jamais serão desamores, mesmo quando insistem em serem esquecidos, ignorados. Porque se transformam nas melhores lembranças dos caminhos que um dia escolhi…

Recusam o fatal destino de findarem em desamores, e se enchem de coragem para serem, juntos, todos os amores que moram pra sempre em mim…

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