OPINIÃO

Dia da mulher negra e 5 dicas de como não ser racista

O mês de julho marca nacional e internacionalmente o dia da mulher negra. Em 1992 foi realizado na República Dominicana o 1º Encontro de Mulheres Afro-Latino americanas e Afro-caribenhas, quando foi instituído o dia 25 de julho como o dia para dar visibilidade a luta das mulheres negras, as quais enfrentam – ao mesmo tempo – as opressões de gênero, de raça e de classe social.

No Brasil, a partir de 2014, e em Natal-RN, oficialmente desde 2020, o 25 de julho também é dia de homenagear a força ancestral da líder quilombola Tereza de Benguela e das mulheres negras brasileiras e natalenses.

Os novos paradigmas que vêm sendo estabelecidos oferecem um olhar renovado para a representação das mulheres negras na sociedade e demandam de todos reflexões atualizadas para que não sejam reproduzidos os legados de exclusão e preconceito arraigados no nosso vocabulário e também na maneira como a presença de pretos nos diversos espaços da sociedade passam a ser encarados.

Por isso, resolvi compartilhar com vocês algumas situações que têm se tornado muito comuns em ambientes onde circulo e fica parecendo que a presença de negros é algo inusitado. Algumas pessoas brancas, em vez de lidarem com suas questões internamente, resolvem abrir a boca para fazer declarações que chegam a ser constrangedoras de tão repetitivas e sem nexo. Seguem portanto, algumas dicas de como não ser racista, tentando ser legal:

1º Não trate pessoas negras como se elas fossem exóticas:

É muito comum pessoas negras receberem elogios sem propósito, a respeito de suas características físicas ou escolhas estéticas, o cabelo então talvez seja o principal assunto de pessoas brancas tentando não ser racistas. Outro dia, do nada, após um “Boa tarde”, ouvi o seguinte comentário: “acho muito bonito pessoas da sua cor”. A gente fica sem saber o que responder… É pra dizer obrigada?!

2º Você não precisa falar que tem parentes negros

Essa é uma forma que algumas pessoas brancas encontraram para dizer que não são racistas: ao conversar com um negro, imediatamente vem a afirmação que possui parentes negros, falam em viagens aos Estados Unidos e como algumas pessoas no Brasil consideradas brancas são vistas como não brancas fora do país.

3º Não diga que nosso cabelo parece com o da Maju Coutinho

Só este ano já devo ter ouvido esse comentário gratuito mais de cinco vezes, em situações em que eu estava simplesmente passando, não tinha ninguém falando de cabelo, mas ao me cumprimentar a pessoa branca fala: “Muito legal seu cabelo, parece com o daquela jornalista… Maju Coutinho”. Pergunto-me: será que as mulheres de cabelo castanho liso ouvem constantemente: “Seu cabelo parece muito com o da Fátima Bernardes”?

4º É racismo achar que negro é tudo igual

Na questão estética, é muito comum ser comparada a mulheres negras famosas, mesmo que a gente não pareça nada com elas. Mas a tentativa de homogeneizar a existência negra, ocorre também quando uma pessoa negra famosa faz alguma afirmação infeliz e todos os pretos são cobrados sobre isso. O racismo fomenta a ideia de que academicamente, politicamente, todos os negros pensam e se expressam da mesma forma. Todavia, nós somos plurais e heterogêneos: temos em comum a luta antirracista, mas as ferramentas e pressupostos teóricos podem ser bem diferentes.

5º Você não precisa afirmar para uma pessoa negra que você não é racista

Para não ser racista, trate uma pessoa negra como você trataria uma pessoa branca: “Bom dia”, “Tudo bem?”, “Você está acompanhando a CPI da Covid no Senado?”, puxe algum assunto que não seja sobre a estética negra, afinal, não é porque somos negros que estamos dispostos a falar sobre questões de raça o tempo todo.

Se você precisa fazer algum esforço para provar que não é racista, meu conselho é que olhe para dentro de si primeiro e se pergunte qual legado racista você precisa superar.

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Aline Juliete
Aline Juliete de Abreu é advogada, Mestra pelo Programa de Pós-Graduação em Estudos Urbanos e Regionais (UFRN), feminista negra e ativista pelos direitos humanos

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