OPINIÃO

Dia do futebol

Quinta-feira (19) foi o  dia do futebol. Nada a comemorar, muito pelo contrário. Acabamos de perder mais uma Copa do Mundo, sem falar nas vergonhas promovidas por alguns brasileiros na Rússia.

O grupo de machistas assediando mulheres russas, o presidente da CBF brigando em restaurante, “parças”, “apóstolos”, parentes, contraparentes, bajuladores, globais, enfim, uma verdadeira invasão de gente que não tinha, não devia ter, nada a ver com a seleção, com a  bola rolando e o objetivo maior.

O futebol brasileiro virou motivo de chacota mundial  por conta de seu melhor jogador, Neymar, hoje, símbolo de fraude, de fingimento e antijogo. O Brasil na segunda divisão do futebol mundial, correndo risco de cair para uma terceira e, definitivamente, deixar de ser levado em consideração quando se fala em favoritismo.

Nas disputas de Copas do futuro corremos o risco, sério, de nos transformarmos em meros coadjuvantes, participantes, como já acontece no Mundial de Clubes e até mesmo, porque não incluir, na Libertadores da América.

A  corrupção na CBF, a imprensa nacional noticia, continua à toda, trocando apenas de figuras.  Tudo isso com o apoio das federações, inclusive, os presidentes, recém-chegados da Rússia, onde se refestelaram em hotéis cinco estrelas, mordomias, todas elas, pagas é claro, com o suor dos jogadores dos clubes sem voto do Brasil. Dirigentes eleitos, empossados, comprometidos a não mudar absolutamente nada do quadro atual.

Os mandatários de clubes, acomodados, amordaçados ou de rabo preso, e o que é pior: comprometidos em troca de migalhas, não fazem absolutamente nada para mudar essa situação. Sequer têm coragem de lançar um candidato, clamar por democracia nas eleições da entidade madrasta que penaliza a todos.

Nos seus clubes, claro, a política não é diferente. Eles seguem vendendo os valores que surgem por milhões de euros, dólares, mas, por mistérios que nunca vou conseguir desvendar, seguem na mesma toada, endividados, pobres, sem que notemos crescimento patrimonial, preferindo investir o dinheiro que recebem em aquisições “mal explicadas”, valores astronômicos contratando duvidosos astros estrangeiros.

O mais estranho de tudo isso é que nunca se faz auditorias independentes, não se questiona enriquecimento de cartolas que passaram por grandes clubes ou que ingressaram na vida pública para continuar o que está posto. É a vergonhosa política do faz de conta que está tudo certo, tudo limpo. Você não mexe comigo, o seu sucessor não vai comprometer você. E segue vida.

Não se move uma palha para mudar o rumo vergonhoso das coisas. A CBF segue dando as cartas, a cada dia movimentando cifras mais astronômicas,  amparada pela sua “bancada da bola”. Algumas vozes isoladas se levantam, denúncias são feitas, uma matéria aqui, outra acolá, mas nunca o suficiente para provocar a devassa que precisamos.

Afinal, todas as tentativas de se apurar irregularidades na CBF, seus contratos televisivos, no futebol do Brasil, foram barradas no Congresso Nacional por essa mesma desmoralizada bancada e pela justiça.

Sumiram, eu pelo menos nunca mais ouvi falar de movimentos pela moralidade do nosso esporte mais popular. Onde andam os integrantes, jogadores, técnicos, jornalistas do Bom Senso Futebol Clube? Suas ações planejadas, me parece, foram todas esquecidas, estancadas. Quais os motivos, não sei.

Minha gente, até mesmo as notícias sobre corrupção do futebol estão velhas, constatei isso fazendo uma rápida pesquisa na internet. Me parece, depois do golpe sofrido pela presidente Dilma Roussef, toda a esperança de ver esses corruptos presos foi por água abaixo.

Continuam a valer os absurdos de uma Lei Pelé que penaliza clubes, mas, por incrível que possa parecer, não incomoda a cartolagem destes mesmos clubes. O que tem por trás disso tudo? Me faço essa pergunta todos os dias.

Somado a todos esses males que crescem com a impunidade, juntem a violência das torcidas organizadas que abrigam bandidos travestidos de torcedores; preços de ingressos, crise, televisionamento indevido, horário de jogos obcenos,a elitização em todos os aspectos…o caos, a derrocada final.

Dia do futebol. Dia da comprovação, triste, da desmoralização do esporte que um dia foi orgulho nacional. Não à toa, segundo pesquisas, mais de 41% população brasileira já não liga a mínima. Esse número, dez anos atrás, era de 31%.

Se você quiser que eu chore, me lamente bem mais, me peça para falar sobre o pobre futebol potiguar…grandes públicos hoje, sabe quantos torcedores no estádio? 5 mil, no máximo.

O começo do fim.

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Edmo Sinedino
Edmo Sinedino é jornalista, ex-jogador de futebol e escreve aos domingos

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