OPINIÃO

Difamação não é coragem, calúnia não é denúncia

Na semana passada o youtuber – e policial militar nas horas vagas – Gabriel Monteiro, postou um vídeo onde acusa a PMERJ de estar lhe perseguindo e colocando sua vida em risco por instaurar um procedimento disciplinar contra ele. Segundo o youtuber, um coronel aposentado estaria movendo uma represália para tentar calar sua voz. Acreditamos que todo cidadão, incluindo os policiais militares, são sujeitos políticos e devem ter liberdade para participar do jogo democrático. Contudo, o jogo democrático tem suas regras: a quem acusa, exige-se provas.

Gabriel Monteiro não está lutando contra corrupção nenhuma. Sua guerra é para conseguir likes para seu canal. Essa foi sua intenção ao comparecer ao enterro de Agatha Felix, uma criança de 08 anos, morta em um confronto no Complexo do Alemão, onde desferiu um soco na cara de um dos presentes no velório e depois fugiu dentro de seu carro.

Gabriel Monteiro não está lutando contra o tráfico. Esteve sim escondido atrás de sua câmera fazendo promoção de seu nome e se utilizando da farda da PM para compor seu personagem. Enquanto isso policiais de carne e osso são vítimas de uma guerra insana que ele jamais contestou.

Gabriel Monteiro não está sendo perseguido, está sendo punido na instituição em que ele fez concurso para integrar; ninguém o colocou à força na PMERJ. Corajosos são aqueles que combatem a opressão do militarismo sobre os policiais. A saúde mental dos praças em ambiente de conflito está em frangalhos, como indica o desproporcional número de suicídios de policiais. Quando Gabriel combateu o Regulamento Disciplinar da Polícia Militar? Por qual liberdade ele luta? Pela liberdade de difamação?

Por fim, caro leitor, Gabriel Monteiro não está defendendo os policiais militares. Cada policial assassinado serve apenas como um degrau para seu espetáculo. O Coronel Ibis Pereira, ao contrário, esteve durante seus anos na ativa exercendo suas funções, sem nunca ter sido acusado de qualquer irregularidade ou corrupção. E sua voz sempre serviu aos ventos de uma reforma necessária que liberte policiais e sociedade do flagelo da violência que aflige a todos nós.

Nós, do Policiais Antifascismo RJ, lutamos pela desmilitarização das polícias, pela liberdade sindical, pela carreira única, pelo direito de filiação partidária. Um policial não pode ser proibido de participar da vida política de seu país, a não ser que o entendamos como um subcidadão que não deve ter o pleno gozo de seus direitos políticos. Mas, serve o alerta, difamação, injúria e calúnia continuarão sendo crimes.

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