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Dívidas de água e energia levam maioria dos devedores do RN para o SPC

A proposta de Ciro Gomes (PDT) durante o 1º turno da campanha eleitoral de ajudar os brasileiros que estão negativados no SPC e no Serasa gerou muitas piadas e memes na internet. Parecia algo distante, mas o candidato à Presidência garantia que seria possível mudar a situação de até 40% da população adulta do país. O primeiro indício de que a ideia não era inalcançável foi o interesse dos adversários. O programa “Nome Limpo” chegou a ser copiado pelo PT e batizado de “Dívida Zero”.

No Rio Grande do Norte, a maior parte dos devedores que foram inscritos no SPC não pagaram contas de água e luz, serviços básicos. Os dados são da Confederação dos Dirigentes Lojistas (CDL) de Natal. No Estado, dívidas bancárias são o segundo principal motivo de restrições ao CPF, contrariando a média nacional que indica que os bancos concentram 51% de todas as dívidas de pessoas físicas, de acordo com informações referentes a agosto de 2018 apurados pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito.

As entidades nacional e estadual não informam os números absolutos de cidadãos negativados no Rio Grande do Norte, mas só na região Nordeste já são 17,4 milhões de consumidores com restrições ao crédito. No Estado, 59% dos devedores são mulheres.

De acordo com Ciro Gomes, nos últimos dois governos, o Brasil gastou R$ 354 bilhões para perdoar a dívida de empresas e empresários com a Receita Federal e a Previdência, por meio do Refinanciamento de Dívidas dos Contribuintes (Refis).

Nesse contexto, estima-se que um percentual equivalente a 41% da população adulta, aproximadamente 62,9 milhões de brasileiros, esteja com restrições ao CPF, enfrentando dificuldades para controlar empréstimos, obter financiamentos ou realizar compras em parcelas. Foi para esse público que o candidato à Presidência pelo PDT apresentou o programa “Nome Limpo”.

– Pense comigo. Se pode ajudar as empresas e os ricos, o governo também pode ajudar os mais pobres e a classe média a limpar o seu nome. Além de devolver a dignidade aos brasileiros que hoje estão enfrentando a humilhação de estar com o nome sujo, o nosso programa vai dar um grande impulso à economia, trazendo de volta para o consumo milhões de famílias”, esclarece o candidato em vídeo gravado e divulgado no site da campanha presidencial.

Ciro prometia abrir linhas de crédito no Banco do Brasil, na Caixa Econômica Federal e em outros bancos para parcelar as dívidas com descontos nos juros e nas multas e com pequenas prestações, de R$ 40 por mês.

Procurado pela agência Saiba Mais, o SPC Brasil afirmou que não comentaria propostas dos presidenciáveis. Questionado sobre a situação dos inadimplentes no RN, o presidente da CDL Natal, Augusto Vaz, confirma indiretamente que o impacto do adimplemento seria bastante positivo para o comércio.

– A gente perde duas vezes com o devedor. Quanto menos gente no SPC, melhor para o comércio, porque além de não estarem devendo tem mais pessoas comprando na praça”, diz Augusto.

A estimativa por região mostra que o Sudeste concentra o maior número absoluto de negativados (26,1 milhões). Em seguida, aparecem o Nordeste (17,4 milhões), o Sul (8,5 milhões), o Norte (5,9 milhões) e o Centro Oeste (5 milhões). Analisando o número de inadimplentes como proporção da população de cada região, o destaque é da região Norte, com 48,8% da população com idade acima de 18 anos negativada. A menor proporção é a da região Sul, cuja população inadimplente chega a 37,5%.

Mulheres representam quase 60% dos consumidores negativados

Augusto Vaz é presidente do CDL Natal

Augusto Vaz comenta que, no último ano, houve um crescimento dos devedores que estão na faixa etária acima de 50. Também foram detectadas dívidas relativas a empréstimos para pagar outras dívidas.

“Está virando uma bola de neve essa relação com os bancos”, comentou.

O presidente do CDL confirmou ainda que atualmente no Rio Grande do Norte, 41% dos devedores são do sexo masculino e 59% são mulheres. O público feminino passou a se endividar mais. Historicamente, segundo ele, os percentuais variavam entre 45% e 55%, respectivamente.

Outra informação local é que quem está no SPC geralmente tem mais de um débito, média de 1,87 dívidas.

Augusto Vaz também comenta que o atraso no pagamento dos servidores do Estado foi percebido pelo comércio com o aumento da inadimplência. Desde 2016 o Governo do Estado não consegue pagar os salários do funcionalismo dentro do mês trabalhado e ainda não concluiu o pagamento do 13º salário para os servidores que recebem acima de R$ 5 mil. A prefeitura de Natal também chegou a atrasar os salários em 2017. O crescimento do RN foi pior no primeiro trimestre de 2018 e mais fraco no segundo. No Brasil foi o inverso.

O Estado perdeu mais o controle no primeiro período do ano e isso se deve ao fato de o Governo ter conseguido diminuir o atraso do pagamento dos salários”.

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Isabela Santos
Isabela Santos é jornalista e repórter da agência Saiba Mais