OPINIÃO

Do livro eu não me livro

Por Leda Mayara*

Eu do livro não me livro, senhor Jair Messias Bolsonaro. Mas infelizmente essa é uma frase que no momento só se aplica a mim, e a uma minoria da população brasileira.

Lembro que no final da primeira série do ensino fundamental eu chorei porque não queria devolver o livro pra escola em que eu estudava, lembro de quando achei esse mesmo livro “bolando” pela escola e implorei pra minha mãe dar um jeito de trazer ele pra casa.

Lembro de quando meu pai vendeu o violão dele pra comprar um livro pra mim.

Lembro de já na adolescência uma amiga minha me chamar carinhosamente da menina que roubava livros.

Mas eu lembro principalmente, senhor presidente, do quanto penei na faculdade porque eu não podia ter todos os livros necessários que queria, eles eram muito caros e isso fez, por um momento, com que eu me afastar dos livros. Depois de tantas idas e vindas, hoje eu posso, como diria o senhor, me dar ao “luxo” de ter quantos e quais livros eu quiser.

Mas essa não é a realidade da maioria do povo brasileiro, infelizmente o buraco é mais embaixo e a realidade deles é bem pior, foram criados com uma educação que não privilegia os livros, o que não é culpa dos pais, que também foram criados assim, e assim foi por gerações, em uma verdadeira “vida Maria” em que o oprimido se torna opressor sem sequer perceber.

E agora vem o senhor taxar livros, dizendo que eles são artigos de luxo.

Enquanto isso, o senhor também facilita o acesso a armas.

Na idade antiga e na idade média se queimavam livros, na ditadura proibiam certos títulos de serem publicados, e agora vem o senhor, com as estratégias sutis de tortura da era contemporânea, deixar ainda mais caro um produto que já não é acessível, mesmo sendo fundamental.

Porém, eu tenho confiança, como diria o poeta em outros tempos sombrios, que “Apesar de você, amanhã há de ser outro dia”

* Leda Mayara é professora em Caicó-RN 

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