OPINIÃO

Doentes da alma

Seres sem música teatro, cinema, livros, artes de uma maneira geral. Aqueles que não têm tempo para “perder” com cultura. Crianças sem pais, ou com pais retrógrados, seguidores de leis marciais, do tipo daqueles que acreditam na porrada, no castigo, na privação corretiva, e na secura de broncas repetidas, no proibir tudo, no cuidado contra pecado, que ignoram o afago, o carinho, o abraço, enfim, os responsáveis por essa proliferação de humanos perdidos, recalcados, reprimidos e propagadores de todo tipo de doenças da alma.

Eu entendo você que, na fila de um supermercado, cinema ou casa de lanches fica indignado com o cabelo imenso, lindo, livre, encaracolado gigante, brilhante, com a roupa leve, livre, colorida, deixando à mostra partes de corpos belos; sei bem o que você sente com relação aos sorrisos brancos, limpos, puros, livres, aos piercings, tatuagens, e o proceder sem amarras ou preocupações com o que, inclusive, gente como você, vai pensar ou dizer. Eu sei muito  bem o porquê de seu ódio aos beijos, abraços, carinhos entre meninos e meninas do mesmo sexo, ou não, e tudo que é livre, belo, que lhe incomoda.

Eu alcanço perfeitamente, sei os motivos de você sempre que sair em defesa dos bandidos protegidos, tipo presidentes de entidades que se perpetuam no poder, ou políticos canalhas ladrões, corruptos ou mesmo porque toda ação enlameada da extrema-direita pútrida em qualquer canto do mundo vai ter seu apoio.

Quando não, pois sente vergonha de descer tanto em público,  justifica e afirma que os políticos de esquerda fizeram igual ou pior. Fique certo, eu  sempre soube a causa, o que alavanca seu ódio aos que professam credos diferentes dos seus, que não se entrosam com os misóginos, machistas, reacionários, homofóbicos e racistas de sua admiração. É pura inveja sua por não ter coragem de assumir sexualidade, por não saber, de verdade, o que seja a felicidade plena, amizade, sincera ou a inexistência de bajulação aos chefes como forma de sempre estar bem.

Você pensa estar feliz. Com a ascensão ao poder de um ser repulsivo que representa à exatidão tudo que você é, seus iguais, acham, também, que estão vivendo o melhor dos mundos. Eles o deixam feliz, pois lotam tuas postagens bizarras, burras,  com os comentários de concordância, afinal é esse o nível, o teu nível, os apoiadores, admiradores, todos, tão ou mais analfabetos que você, líder de audiência de um grupo de dementes. Não sabem, coitados quadrúpedes (que me perdoem os inocentes de quatro patas) que o fim da farra está próximo.

Dormentes, incapazes, obtusos, claro, ainda não notaram, mas diminuíram a olhos vistos os números daqueles que costumam colocar o focinho de fora.

E os tantos que vi sair, ao longo dos últimos anos,  das tocas podres, dos esgotos pútridos onde estavam escondidos, amedrontados, diria até despeitados, fingindo não se incomodar em ver o Brasil se transformar no país da esperança e do amor. Os que desfraldaram, literalmente, suas bandeiras, verde-amarelas, suas fantasias esdrúxulas de maldade, preconceito, enfeiando nossos bairros, cidades, regiões e país com os espetáculos mais inacreditáveis de sandices, olhe em volta, ser abjeto, preste atenção, estão sumindo! Como vão desaparecer, um a um, pode esperar, seus fãs tão canalhas, medíocres, insanos quanto você.

O comportamento dos ratos nocivos, seus iguais, todo mundo sabe e atesta, nunca vai mudar. Ao sinal de afundamento do pior momento da história de nossa nação, superando inclusive a dos criminosos impunes da ditadura militar, eles vão pular do seu navio.

 

 

 

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Edmo Sinedino
Edmo Sinedino é jornalista, ex-jogador de futebol e escreve aos domingos

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